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Brasil busca ampliar a defesa antiaérea para proteger alvos estratégicos contra mísseis e drones

12 de Abril de 2026 às 18:35

O Brasil apresenta ausência de cobertura contra drones e mísseis de cruzeiro devido ao foco em equipamentos de curto alcance. O Exército iniciou a aquisição de artilharia antiaérea de média e grande altitude para proteger infraestruturas estratégicas. A iniciativa baseia-se na Política Nacional de Defesa e em portarias de 2025

A defesa antiaérea do Brasil apresenta uma lacuna na proteção do espaço aéreo contra mísseis de cruzeiro, munições vagantes e drones de ataque, devido à concentração de seus meios em sistemas de curto alcance e baixa altitude. Essa limitação torna o país vulnerável na proteção de áreas sensíveis, forças em deslocamento e infraestruturas estratégicas, conforme análise de Nelson During.

Atualmente, a base da defesa terrestre brasileira consiste nos sistemas RBS 70, Igla-S e Gepard 1A2. Embora sejam eficazes na cobertura de instalações específicas, proteção de tropas e missões de defesa de ponto, esses equipamentos não garantem uma cobertura escalonada. O Gepard 1A2, por exemplo, possui radares de busca e tiro com alcance vertical de até 3.000 metros, focando em alvos de baixa altitude e colunas blindadas, mas sem abranger as faixas de operação de vetores contemporâneos mais complexos. A dependência desses meios é confirmada pelo uso de mísseis RBS-70 e IGLA em exercícios recentes realizados em Formosa.

Para sanar esse vazio, especialmente na média altitude, a Política Nacional de Defesa estabelece a obtenção de capacidades que fortaleçam a interoperabilidade entre as Forças e protejam infraestruturas críticas. Documentos da biblioteca do Exército confirmam a inexistência dessa capacidade e informam que o processo de aquisição de um sistema de artilharia antiaérea para essa faixa já foi iniciado. Em 2025, portarias do Estado-Maior do Exército formalizaram a necessidade de obter sistemas de defesa de média e grande altura.

A urgência dessa atualização é evidenciada por conflitos recentes. Na Ucrânia, a guerra demonstrou a importância de defesas em camadas, exemplificada pelo ataque russo de 26 de agosto de 2024, quando mais de 200 drones e mísseis atingiram alvos críticos e infraestrutura energética. No Oriente Médio, a ofensiva de 14 de setembro de 2019 contra as instalações de Khurais e Abqaiq, na Arábia Saudita, retirou 5,7 milhões de barris diários de petróleo do mercado, provando que vetores simples podem desestabilizar a mobilidade econômica e cadeias de abastecimento.

No cenário brasileiro, a exposição atinge refinarias, portos, hidrelétricas, redes de transmissão, polos industriais, bases aéreas e estruturas de comando, além de comprometer a liberdade de movimento de forças terrestres em crises. Nelson During ressalta que a posse de radares e caças não é suficiente, sendo necessária uma arquitetura integrada para detecção, identificação, decisão e interceptação rápida, transformando equipamentos dispersos em defesa efetiva contra ataques coordenados. Embora o país mantenha treinamento contínuo e sistemas operacionais, a distância entre a capacidade disponível e as exigências dos conflitos modernos mantém a defesa de baixa e média altitude como um ponto sensível da estrutura militar.

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