Brasil planeja nova fase de assistência humanitária para a reconstrução da Venezuela
O governo brasileiro planeja nova fase de assistência humanitária à Venezuela após terremotos que causaram 3.889 mortos e quase 17 mil feridos. A etapa inicial enviou 60 toneladas de suprimentos, hospital de campanha e equipes técnicas, enquanto bombeiros de São Paulo localizaram 23 corpos
O governo brasileiro planeja a implementação de uma nova fase de assistência humanitária à Venezuela, após os terremotos mais fortes registrados no país em mais de um século. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se, nesta quinta-feira (9), com ministros e assessores para balanço das ações iniciais e análise de estratégias para a reconstrução da nação caribenha. O encontro contou com a presença do chanceler Mauro Vieira, do assessor especial Celso Amorim, das ministras Miriam Belchior e Fernanda Machiaveli, além do comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno.
A nova etapa de auxílio, coordenada pela Casa Civil, aguarda a definição de demandas específicas por parte das autoridades venezuelanas para a elaboração de um plano operacional. Até o momento, a primeira fase do apoio brasileiro mobilizou seis voos humanitários — cinco da Força Aérea Brasileira (FAB) e um da companhia Gol —, resultando no envio de 60 toneladas de insumos médicos, equipamentos e suprimentos, além de 100 purificadores de água. A estrutura de suporte incluiu um hospital de campanha com capacidade cirúrgica, atendimento emergencial, módulo infantil e preparo para pandemias, operado por 93 militares da Marinha. A força-tarefa contou ainda com 71 bombeiros, quatro especialistas da Defesa Civil e seis técnicos da Anatel.
Simultaneamente, a equipe de bombeiros de São Paulo encerrou, nesta quinta-feira (9), as atividades operacionais de busca e resgate na Venezuela. A missão, que integrou especialistas de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, realizou 90 intervenções em estruturas colapsadas, utilizando cães farejadores, tecnologia de busca e protocolos internacionais de desastres. O trabalho resultou na localização de 23 corpos — 11 homens, nove mulheres e três pessoas sem identificação de sexo.
A mobilização paulista ocorreu em duas etapas: a primeira, em 26 de junho, enviou 11 bombeiros, dois médicos, um representante da Defesa Civil, as cadelas Malina e Kiara e cinco toneladas de equipamentos. No dia 28 de junho, um segundo grupo de 16 bombeiros e um representante da Defesa Civil reforçou a operação com mais quatro toneladas de material. O retorno dos integrantes de São Paulo e do Paraná está previsto para sexta-feira (10), com chegada à Base Aérea de Guarulhos às 22h, após embarque em aeronave KC-30 da FAB em Caracas. A equipe de Minas Gerais retornará em transporte próprio.
O cenário de destruição na Venezuela, concentrado na região norte e na capital Caracas, deixou um saldo oficial de 3.889 mortos e quase 17 mil feridos.
Além da crise na Venezuela, o governo brasileiro discute a intensificação da ajuda humanitária a Cuba, onde a fome, especialmente entre crianças, e a crise energética têm se agravado. O país caribenho registrou, na segunda-feira (6), o terceiro corte generalizado de energia nos últimos seis meses. A situação é atribuída às sanções econômicas intensificadas pelo governo de Donald Trump, que manifestou a intenção de tomar o controle da ilha. As ações de cooperação, viabilizadas por diversos ministérios, são coordenadas pela Agência Brasileira de Cooperação.