Brasileiro morre após terremotos na Venezuela e família organiza campanha para repatriar o corpo
Dois terremotos na Venezuela causaram 1.450 mortes, 3.150 feridos e 50 mil desaparecidos, resultando no óbito de dois brasileiros. Entre as vítimas está Romildo Batista de Lima, de 69 anos, cuja família organiza uma arrecadação financeira para repatriar o corpo
Um brasileiro morreu na Venezuela após a região norte do país, incluindo a capital Caracas, ser atingida por dois terremotos sucessivos na última quarta-feira (24). Romildo Batista de Lima, de 69 anos, visitava familiares da esposa na cidade e deveria retornar ao Brasil na sexta-feira (26). O casal foi atingido pelo desabamento de uma parede durante a tentativa de abrigo; Romildo chegou a ser resgatado e levado ao hospital, mas faleceu na madrugada seguinte. Sua esposa, Carlha Nacarid, sofreu uma fratura na bacia e permanece internada no país.
Os sismos, classificados como os mais fortes na Venezuela em mais de um século, causaram a destruição de prédios e deixaram um rastro de devastação. O governo local atualizou o balanço para 1.450 mortos, 3.150 feridos e aproximadamente 50 mil desaparecidos. O governo brasileiro confirmou o óbito de dois cidadãos brasileiros no evento, embora não tenha divulgado as identidades.
A família de Romildo, residente em Uberlândia (MG), soube da tragédia por meio de reportagens sobre os terremotos, conseguindo contato com a esposa do pastor horas depois. Desde então, os parentes relatam dificuldades na obtenção de informações claras e demora nos processos. A embaixada brasileira deu andamento aos trâmites para o retorno do corpo, incluindo a emissão da certidão de óbito.
Houve uma tentativa de transportar o corpo em um voo comercial no sábado (27), porém a aeronave não pôde ser utilizada devido ao estado de conservação do corpo. Diante da impossibilidade do transporte comercial, a família precisou buscar alternativas de translado, cujo custo é estimado em R$ 50 mil. Para viabilizar a vinda do corpo ao Brasil e a realização do sepultamento, parentes organizaram uma campanha de arrecadação financeira via redes sociais.
O Ministério das Relações Exteriores informou que presta assistência consular às famílias e acompanha a situação da comunidade brasileira na Venezuela. O órgão ressaltou que, por questões de privacidade e em conformidade com a Lei de Acesso à Informação, não fornece detalhes sobre a assistência prestada nem confirma dados pessoais.
Natural de Chapada de Minas (MG) e morador de Uberlândia há mais de dez anos, Romildo era pastor evangélico e havia comemorado seu 69º aniversário quatro dias antes do desastre. A previsão é que o corpo chegue a Uberlândia ainda esta semana.