Capão Alto decreta situação de emergência até 2026 para enfrentar crise hídrica no município
A prefeita de Capão Alto decretou situação de emergência até agosto de 2026 devido a uma crise hídrica. A estiagem causou prejuízos superiores a R$ 21 milhões no setor agropecuário e comprometeu mananciais de abastecimento rural. A medida permite a contratação de serviços sem licitação e a solicitação de repasses federais
A prefeita de Capão Alto, Sadiana Arruda Melo Coelho Lopes, decretou situação de emergência no município até agosto de 2026 para enfrentar uma crise hídrica que impacta a economia e a sobrevivência da população. A medida, fundamentada na legislação do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, permite a contratação de serviços sem licitação convencional e a solicitação de repasses do governo federal para mitigar os danos causados por uma estiagem que persiste desde o início do ano.
O setor agropecuário, base econômica da cidade, já acumula prejuízos superiores a R$ 21 milhões. A escassez de chuvas devastou lavouras de soja, milho, feijão e abóbora, culturas que não conseguiram completar o ciclo de crescimento e frutificação devido ao solo ressequido. A situação é agravada por dados da Epagri, que registrou apenas 76,6 milímetros de chuva em janeiro — menos de 43% da média histórica de 177,6 mm para o período. Esse déficit hídrico, somado a temperaturas que ultrapassaram os 30°C, acelerou a evaporação da umidade do solo em um momento crítico da produção.
A pecuária leiteira também enfrenta colapso. Com a seca das pastagens e a queda na produção de forragem, produtores são obrigados a adquirir ração em volumes elevados, o que elimina as margens de lucro e ameaça a permanência de pequenos pecuaristas na atividade. Além do impacto financeiro imediato, a subnutrição do rebanho compromete a produtividade do leite a médio prazo.
A crise extrapolou o campo e atingiu a segurança hídrica humana. A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil reportou o comprometimento de mananciais que abastecem a zona rural, elevando o risco de desabastecimento para consumo humano e animal. Moradores de comunidades vulneráveis, como a de Barreira, relatados em levantamento do CRAS e cadastrados no CadÚnico, não possuem recursos para instalar reservatórios de água, dependendo de fontes distantes ou de caminhões-pipa irregulares.
A decretação da emergência foi formalmente solicitada pela Cooperplan, entidade do setor agropecuário local. O instrumento jurídico viabiliza a implementação de socorro imediato, incluindo a distribuição de água e a abertura de linhas de crédito especiais para a recomposição de insumos e rações. O cenário evidencia a necessidade de investimentos em infraestrutura de captação e armazenamento de água para reduzir a vulnerabilidade da região a eventos climáticos extremos.