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Casal de professores mineiros muda para o Marrocos em busca de segurança e oportunidades profissionais

13 de Junho de 2026 às 15:03

Teresa Cristina Fonseca da Silva e Leonardus Vergutz mudaram-se de Minas Gerais para o Marrocos no fim de 2019 por segurança e trabalho. O casal atua em cargos de docência, pesquisa e diretoria na OCP, além de Teresa mediar importações de commodities brasileiras. A família planeja retornar ao Brasil em dois ou três anos

Casal de professores mineiros muda para o Marrocos em busca de segurança e oportunidades profissionais
Edison Veiga/BBC

A busca por segurança pública e novas oportunidades profissionais levou a família de Teresa Cristina Fonseca da Silva e Leonardus Vergutz a trocar Minas Gerais pelo Marrocos no final de 2019. A decisão de imigrar foi motivada por um trauma vivido em Viçosa, onde o casal, ambos professores universitários na época, foi vítima de um assalto à mão armada enquanto se preparavam para um passeio com o filho mais velho.

O projeto, que inicialmente previa um período sabático de um ou dois anos, estendeu-se devido à ascensão profissional de Vergutz. Especialista em fertilizantes, ele assumiu primeiro uma posição de professor e pesquisador na Universidade Politécnica Mohammed VI (UM6P), instituição mantida pelo Grupo OCP. Atualmente, o engenheiro agrônomo ocupa um cargo na diretoria da OCP, empresa que detém mais da metade das reservas mundiais de rocha fosfatada e é a maior exportadora global de fertilizantes fosfatados, tendo o agronegócio brasileiro como um de seus principais clientes.

A mudança proporcionou a estabilidade que a família buscava. Teresa, química de 44 anos, adaptou-se à vida em Marraquexe, a quarta maior cidade do país, onde experimenta a tranquilidade de circular sem o medo da violência urbana. Essa percepção é corroborada por dados da plataforma Numbeo, que classifica a criminalidade no Marrocos como moderada e a segurança para pedestres como elevada. No entanto, a transição envolve contrastes: enquanto o Brasil ocupa a 88ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (0,76), o Marrocos está na 118ª colocação (0,698).

Além da esfera familiar, Teresa passou a empreender no mercado africano. Desde 2022, atua na mediação de importações de commodities brasileiras, com foco em café, além de ter comercializado pimenta do reino e carne. Em sua trajetória profissional no exterior, ela relata ter enfrentado situações de machismo, embora descreva a população local como gentil.

A integração cultural ocorre por meio do francês e do inglês, idioma este último aprendido pelos filhos em uma escola internacional americana. Apesar da adaptação, a inserção social é limitada, com interações pontuais com marroquinos e um convívio intensificado entre os membros do núcleo familiar. A distância dos parentes em Minas Gerais é mitigada por viagens anuais, que permitem a permanência de dois a dois meses e meio no Brasil.

A vida no Norte da África também impõe ajustes habituais. A escassez de vegetação em comparação às paisagens brasileiras e a dificuldade de acesso à carne de porco — proibida pelo islã, religião predominante no país — são marcas do cotidiano. A família mantém a conexão com a cultura brasileira por meio de hábitos alimentares e do acompanhamento de eventos esportivos, como a estreia da Seleção Brasileira contra o Marrocos na Copa do Mundo de 2026.

Atualmente, o setor consular do Brasil em Rabat registra 400 brasileiros residentes no país, número superior à estimativa de 200 pessoas apontada em relatório de 2023 do Ministério das Relações Exteriores. Para a família Silva-Vergutz, a experiência tem prazo determinado, com a previsão de retorno ao Brasil em dois ou três anos.

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