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Cidade paulista com menos de 5 mil habitantes tem qualidade de vida superior às capitais brasileiras

20 de Maio de 2026 às 06:23

Gavião Peixoto (SP), cidade com menos de 5 mil habitantes, lidera o ranking do Índice de Progresso Social com 73,10 pontos. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (20), indica qualidade de vida superior a todas as capitais brasileiras. Uiramutã (RR) ocupa a última posição com 42,44 pontos

Cidade paulista com menos de 5 mil habitantes tem qualidade de vida superior às capitais brasileiras
Divulgação/Prefeitura

Um município paulista com menos de 5 mil habitantes apresenta qualidade de vida superior a todas as capitais brasileiras, conforme revela o ranking do Índice de Progresso Social (IPS), divulgado nesta quarta-feira (20). O levantamento, coordenado pelo instituto Imazon em parceria com a Fundação Avina, a iniciativa Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress Imperative, evidencia a disparidade social no país, com uma diferença de mais de 30 pontos entre a cidade com melhor e a com pior pontuação.

A metodologia do IPS distancia-se de indicadores como o PIB e o IDH ao focar nos resultados concretos da vida dos cidadãos, e não apenas nos gastos públicos ou no desenvolvimento econômico. O índice avalia se a população possui formação escolar efetiva, atendimento médico eficiente, saneamento básico, segurança nas ruas e oportunidades de estudo e trabalho. Para isso, cruza 57 indicadores sociais e ambientais de bases públicas, como IBGE, DataSUS, Inep, MapBiomas, Anatel, Conselho Nacional de Justiça e Cadastro Único, utilizando dados atualizados dos últimos cinco anos de 5.570 municípios.

A pontuação, que varia de 0 a 100, é composta por três dimensões principais. A primeira, Necessidades Humanas Básicas, analisa a sobrevivência mínima através de taxas de homicídio, cobertura vacinal, mortalidade infantil, qualidade das moradias e esgotamento sanitário. A segunda, Fundamentos do Bem-Estar, observa a longevidade e a qualidade de vida, incluindo expectativa de vida, índices de obesidade, suicídios, doenças crônicas, além de acesso à internet, telefonia, Ideb, evasão escolar e questões ambientais, como desmatamento e emissões de CO2. A terceira dimensão, Oportunidades, foca na prosperidade e nos direitos, abrangendo acesso à Justiça, educação superior, paridade de gênero e raça nas câmaras, violência contra grupos minoritários e acesso à cultura e esporte.

No cenário nacional, a média do Brasil foi de 63,40. Gavião Peixoto (SP) lidera o ranking com 73,10 pontos, enquanto Uiramutã (RR) ocupa a última posição, com 42,44. O sistema de cálculo padroniza estatisticamente os indicadores para permitir a comparação entre diferentes naturezas de dados, gerando a média final a partir de 12 componentes.

Para refinar a análise, o IPS agrupa cidades com PIB per capita semelhante, permitindo verificar a eficiência da gestão social independentemente da riqueza financeira. Essa comparação revela contrastes significativos: São Bernardo do Campo (SP) obteve 69,92 pontos, enquanto Duque de Caxias (RJ), com nível de riqueza per capita parecido, registrou 57,87.

Publicado anualmente desde 2024, o IPS Brasil segue a metodologia da organização Social Progress Imperative, aplicada em 170 países desde 2014 e utilizada em subnações da União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido, Índia e México. Os dados estão disponíveis para consulta pública no site ipsbrasil.org.br, servindo como instrumento de gestão para orientar investimentos sociais e a formulação de políticas públicas nas áreas mais deficitárias de cada cidade.

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