Brasil

Cubanos passam a liderar pedidos de refúgio no Brasil em 2025

22 de Junho de 2026 às 12:07

Cubanos lideraram as solicitações de refúgio no Brasil em 2025, com 41.919 pedidos, representando 55,4% do total de 75.599 requerimentos. O volume geral cresceu 10,9% em relação ao ano anterior, seguido por venezuelanos e colombianos no ranking de nacionalidades

Cidadãos de Cuba passaram a liderar as solicitações de refúgio no Brasil em 2025, superando a predominância histórica de venezuelanos. Ao todo, o país registrou 75.599 pedidos de refúgio no ano, o que representa um aumento de 10,9% em relação ao período anterior e o terceiro maior volume da série histórica, superado apenas pelos anos de 2018 e 2019.

Os cubanos foram responsáveis por 41.919 dos requerimentos feitos ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), correspondendo a 55,4% do total e indicando um crescimento de 88,1% comparado a 2024. Esse fluxo é impulsionado por uma economia debilitada na ilha e tensões diplomáticas com os Estados Unidos, que, desde janeiro de 2026, sob a gestão de Donald Trump, impôs um bloqueio ao petróleo destinado ao país, resultando em apagões. Em resposta, o Parlamento cubano aprovou recentemente reformas econômicas.

Na sequência do ranking de 2025, aparecem venezuelanos, com 21.233 solicitações, e colombianos, com 1.432. Outras nacionalidades com volume relevante de pedidos incluem angolanos (1.253), marroquinos (888) e ganeses (792).

O estudo Refúgio em Números 2026, divulgado nesta segunda-feira (22) em evento referente ao Dia Mundial do Refugiado, foi elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e pelo Ministério da Justiça, abrangendo dados de 2010 a 2025.

A análise do perfil dos solicitantes revela que homens representam 55,9% dos pedidos, contra 44% de mulheres, com a maior concentração etária entre 25 e 40 anos (26.911 pessoas). No entanto, o grupo de cubanos apresenta uma característica distinta, com 67,8% dos solicitantes possuindo mais de 60 anos.

Quanto à distribuição geográfica das decisões do Conare no ano passado, a região Norte concentrou 52,4% dos processos, com destaque para Roraima, que abrigou 16.166 solicitações (32% do total), seguido pelo Amapá, com 6.372 (12,6%), e Amazonas, com 2.445 (4,8%). Nesses estados, a origem predominante dos solicitantes foi Venezuela (13.125), Cuba (11.490) e Colômbia (524).

A maioria dos pedidos deferidos pelo órgão vinculado ao Ministério da Justiça (94,7%) baseou-se na violação generalizada de direitos humanos, categoria na qual os venezuelanos formam o maior grupo. O processo de reconhecimento é simplificado para nacionais de países onde o Brasil identifica graves violações de direitos, como Síria, Afeganistão e Venezuela.

O refúgio é a proteção legal internacional concedida a grupos em risco de vida devido a guerras civis, terrorismo, perseguições raciais ou crises climáticas. Ao conceder esse status, o Brasil assume a obrigação de não devolver a pessoa ao país de origem e garantir acesso a documentação legal, saúde, educação, trabalho e liberdade religiosa.

Com informações de G1

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