Filho de Joanna Maranhão sofre ameaça de deportação em escola na Alemanha
O filho de seis anos da ex-nadadora Joanna Maranhão foi ameaçado de deportação por um colega de escola em Potsdam, na Alemanha. A instituição de ensino prometeu implementar políticas antirracistas após o episódio de xenofobia
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/W/H/pg68Z3Tc2nRCVRs9u6mA/novo-projeto.jpg)
Um episódio de xenofobia contra o filho de seis anos de Joanna Maranhão, ex-nadadora olímpica, trouxe à tona a vulnerabilidade de famílias brasileiras residentes na Europa. Caetano, que cursa o primeiro ano do ensino primário em Potsdam, na Alemanha, relatou à mãe ter sido ameaçado por um colega de escola, que afirmou chamar a polícia para deportar seus pais. O susto da criança foi potencializado pelo medo de ser separada de sua família.
Joanna, que vive no leste alemão há três anos e meio com o filho e o marido, o ex-judoca Luciano Corrêa, precisou assegurar ao menino que a documentação legal para viver e trabalhar no país impede qualquer ação de deportação. A atleta, que representou o Brasil em quatro Olimpíadas e acumulou três medalhas de ouro e cinco de bronze em Jogos Pan-Americanos, admitiu não ter tido preparo imediato para lidar com a situação, embora cultive diálogos constantes com o filho sobre diversidade racial, linguística e o orgulho de suas raízes brasileiras.
A escola onde o caso ocorreu comprometeu-se a implementar políticas antirracistas e a debater o tema com os alunos. A professora da turma informou que o pai do aluno agressor possui um posicionamento anti-imigração e apoia o partido Alternativa para a Alemanha (AfD). A legenda é classificada como de extrema direita pelo Departamento Federal de Proteção da Constituição da Alemanha (Verfassungsschutz), com relatórios que apontam a desvalorização de imigrantes, especialmente aqueles vindos de países predominantemente muçulmanos.
Apesar de ter retornado às aulas levando bolinhos para a turma, inclusive para o colega que a ofendeu, Joanna manifestou preocupação com a convivência diária entre as crianças e a eficácia da mediação escolar. Para a ex-atleta, que hoje integra a organização Sport & Rights Alliance em defesa dos direitos humanos no esporte, a escola é o ambiente fundamental para reverter preconceitos herdados dos pais.
Este não é o primeiro contato da família com a discriminação no continente europeu. Anteriormente, enquanto residiam na Bélgica, Luciano Corrêa foi acusado falsamente de furtar um carrinho de transporte infantil, em um episódio que Joanna atribui ao preconceito racial. A nadadora relatou ainda que o marido sofreu outras situações de racismo na Alemanha, algumas delas presenciadas pelo filho.
Joanna Maranhão, que desde 2008 é uma voz ativa no combate à pedofilia e à violência sexual após denunciar abusos sofridos na infância, destacou a coragem necessária para recomeçar a vida em outro país e a tristeza diante dos ataques direcionados a grupos de imigrantes.