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Índice de Progresso Social revela profundas disparidades regionais na qualidade de vida no Brasil

20 de Maio de 2026 às 06:23

O Índice de Progresso Social Brasil 2026 registrou média nacional de 63,40, com Gavião Peixoto (SP) na liderança e Uiramutã (RR) na última posição. O levantamento aponta concentração de melhores índices no Sul e Sudeste, enquanto as menores pontuações estão no Norte e Nordeste. O Distrito Federal lidera o ranking estadual e Curitiba encabeça a lista das capitais

Índice de Progresso Social revela profundas disparidades regionais na qualidade de vida no Brasil
Divulgação/Prefeitura

O Brasil apresenta um cenário de profundas disparidades regionais na qualidade de vida, conforme aponta o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026. O levantamento, realizado pelo instituto Imazon em parceria com a Fundação Avina, Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative, analisou os 5.570 municípios do país com base em 57 indicadores sociais e ambientais, utilizando dados de órgãos como IBGE, DataSUS, Inep e MapBiomas.

A concentração de bem-estar é evidente na distribuição geográfica: 18 das 20 cidades com as melhores pontuações estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste. No extremo oposto, 19 dos 20 municípios com os piores índices concentram-se no Norte e Nordeste. Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, lidera o ranking nacional pelo terceiro ano consecutivo, com 73,10 pontos. A cidade de Uiramutã, em Roraima, ocupa a última posição, registrando 42,44 pontos.

A média nacional de progresso social foi de 63,40, representando um avanço discreto em comparação aos 63,05 de 2025 e 62,85 de 2024. No recorte das capitais, Curitiba mantém a liderança pelo segundo ano seguido, com 71,29 pontos, destacando-se especialmente em indicadores de meio ambiente, como emissões de CO2, áreas verdes e desmatamento. Brasília (70,73), São Paulo (70,64), Campo Grande (69,77) e Belo Horizonte (69,66) completam o grupo de melhor desempenho entre as capitais. Já Macapá (59,65) e Porto Velho (58,59) foram as únicas capitais a ficarem fora do grupo de elite.

A análise por unidades da federação reforça a desigualdade interna. O Distrito Federal lidera o ranking estadual (70,73), seguido por São Paulo (67,96), Santa Catarina (65,58), Paraná (65,21) e Minas Gerais (64,66). As menores pontuações foram registradas no Pará (55,80), Maranhão (57,59) e Acre (58,03). A diferença de quase 15 pontos entre o topo e a base do ranking estadual indica que, se fosse comparado a seus próprios estados, o Brasil ocuparia apenas a décima posição.

O IPS diferencia a riqueza gerada (PIB) da efetiva entrega de benefícios à população. O índice é dividido em três dimensões. A de Necessidades Humanas Básicas, que abrange saúde, saneamento e segurança, obteve a melhor média (74,58), com destaque para a área de Moradia, a pontuação mais alta do país (87,95). A dimensão Fundamentos do Bem-Estar, focada em educação e qualidade ambiental, registrou média de 68,81. Nesse grupo, o Acesso à Informação e Comunicação foi o componente com maior crescimento entre 2025 e 2026.

Contudo, a região Norte, que engloba a Amazônia Legal, apresenta resultados críticos inclusive em Qualidade do Meio Ambiente, devido a focos de calor, emissões de gases estufa e desmatamento acumulado.

A dimensão Oportunidades, que engloba liberdades pessoais e ensino superior, teve o pior desempenho geral, com média de 46,82. Os pontos mais críticos foram Direitos Individuais (39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22). Esta última categoria vem registrando queda desde 2024, refletindo a baixa representatividade política de negros e mulheres em câmaras municipais, a violência contra minorias e o aumento da população em situação de rua — problema que persiste inclusive em cidades com alto índice de progresso, como Curitiba.

No agrupamento final do estudo, 706 municípios brasileiros foram classificados na faixa de melhor desempenho, enquanto 23 cidades foram enquadradas na zona mais crítica.

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