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Padre Zezinho lança primeira biografia autorizada para celebrar seis décadas de sacerdócio

04 de Junho de 2026 às 09:05

Padre Zezinho lança a biografia autorizada "Apenas Um Cidadão do Infinito: Vida e Missão de Pe. Zezinho", escrita por Gabi Bonvechio. A obra detalha a trajetória do sacerdote, autor de mais de 1.800 composições, que introduziu o violão nas celebrações católicas no Brasil

Padre Zezinho lança primeira biografia autorizada para celebrar seis décadas de sacerdócio
Arquivo pessoal/Padre Zezinho

Com a proximidade de seus 85 anos, em 8 de junho, e a celebração de seis décadas de sacerdócio, o Padre Zezinho lança sua primeira biografia autorizada, intitulada "Apenas Um Cidadão do Infinito: Vida e Missão de Pe. Zezinho". A obra, escrita pela jornalista Gabi Bonvechio, detalha a trajetória de José Fernandes de Oliveira, figura central do catolicismo brasileiro e autor de mais de 1.800 composições, incluindo a popular "Oração pela Família", que já integrou inclusive especiais de Roberto Carlos.

A trajetória do sacerdote é marcada por uma forte ligação com a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, os padres dehonianos. Nascido em Machado, Minas Gerais, e criado em Taubaté, São Paulo, Zezinho ingressou no seminário aos 12 anos. Sua formação foi itinerante, passando por instituições em Lavras, Corupá, Jaraguá do Sul e Brusque, antes de seguir para os Estados Unidos para graduar-se em Teologia em Hales Corners, Wisconsin.

Durante sua estadia na América do Norte, o religioso acompanhou as discussões do Concílio Vaticano II, evento que modernizou a Igreja Católica ao substituir o latim nas missas e enfatizar o compromisso social. Ao retornar ao Brasil em 1967, Zezinho implementou essa renovação ao introduzir o violão nas celebrações e adotar uma postura mais próxima da juventude, distanciando-se do rigor formal da batina.

Essa abordagem, aliada ao contexto de contracultura dos anos 1960, tornou-o um pioneiro na evangelização moderna, utilizando a música contemporânea como ferramenta de comunicação de massa. No entanto, seu foco na doutrina social da Igreja e a defesa dos mais pobres — refletida em canções como "Prece Pelo Social" — geraram críticas de setores conservadores, que frequentemente o associam à Teologia da Libertação. O sacerdote define-se como um "atualizador" e defende a vertente bíblica da libertação, rejeitando rótulos ideológicos como "progressista" ou "esquerdista".

Mesmo diante de divergências, Zezinho manteve diálogos históricos com diferentes vertentes do catolicismo, como a amizade com o Padre Jonas Abib, expoente da Renovação Carismática Católica. Atualmente, o religioso utiliza as redes sociais para continuar sua missão de catequese, acumulando mais de 1 milhão de seguidores no Facebook.

Recentemente, sua atuação digital tornou-se palco de polêmicas. Em maio, a republicação de um artigo do professor Romero Venâncio, da Universidade Federal de Sergipe, que criticava o extremismo de grupos católicos de direita, resultou em ataques e na disseminação de notícias falsas que o vinculavam ao comunismo.

No âmbito pessoal, o sacerdote lida com limitações de saúde que restringem sua agenda de shows e missas. Ele enfrenta as sequelas de um acidente vascular cerebral ocorrido em 2012, que o deixou sem fala por sete meses, e mantém tratamento para um câncer de próstata diagnosticado em 2013.

Reconhecido por unir reflexão teológica e música popular, Padre Zezinho mantém seu acervo no Memorial Padre Zezinho, em seu convento, preservando a memória de quem transformou a linguagem religiosa no Brasil através da arte e do compromisso social.

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