Porta-aviões nuclear USS Nimitz realiza exercícios conjuntos com a Marinha do Brasil no Rio de Janeiro
O porta-aviões nuclear USS Nimitz realizou exercícios de cooperação com a Marinha do Brasil entre 11 e 14 de maio, no Rio de Janeiro. A operação Southern Seas 2026 envolveu manobras coordenadas e suporte logístico de aeronaves C-2A Greyhound em Salvador e Fortaleza. O navio de 51 anos de serviço integra um grupo de ataque composto por submarinos, cruzadores e destroieres

O USS Nimitz (CVN-68), porta-aviões nuclear com 51 anos de serviço, percorre a costa brasileira em uma de suas últimas etapas operacionais antes da aposentadoria definitiva. O navio, comissionado em 3 de maio de 1975, lidera um grupo de ataque composto por submarinos, cruzadores, destroieres e embarcações de apoio logístico, integrando a operação Southern Seas 2026.
Entre os dias 11 e 14 de maio, a embarcação realizou exercícios conjuntos com a Marinha do Brasil ao largo do Rio de Janeiro, cidade onde aportou no início do mês. De acordo com a Embaixada dos Estados Unidos, as atividades focaram no fortalecimento da cooperação marítima bilateral e na interoperabilidade, com a execução de manobras coordenadas, testes de comunicação e procedimentos operacionais em cenários simulados.
A logística de suporte ao grupo naval envolveu o uso de duas aeronaves C-2A Greyhound, bimotores turboélice da Northrop Grumpan projetados para operar em porta-aviões. No sistema de *Carrier Onboard Delivery* (COD), esses aviões transportam cargas prioritárias, peças de reposição e pessoal entre bases terrestres e o navio. As aeronaves, derivadas do modelo de vigilância E-2 Hawkeye, pousaram em Salvador na tarde de 17 de maio e seguiram para Fortaleza na manhã do dia 18, acompanhando o deslocamento do porta-aviões rumo ao norte.
Com 332 metros de comprimento e deslocamento de 100 mil toneladas, o USS Nimitz transporta mais de 60 aeronaves, incluindo helicópteros, aviões de vigilância e caças F/A-18 Super Hornet. A embarcação é movida por dois reatores nucleares, o que garante autonomia quase ilimitada para a tripulação de mais de 5 mil pessoas, demandando reabastecimento apenas de suprimentos e combustível para a aviação.
A presença de um grupo de ataque dessa magnitude no Atlântico Sul reflete a importância estratégica da parceria entre Brasil e Estados Unidos. Para a Marinha do Brasil, a interação com a complexidade de um porta-aviões nuclear — que envolve sistemas de defesa antiaérea e comando e controle — permite treinamentos de interoperabilidade impossíveis de serem reproduzidos em simuladores.
O Nimitz foi a primeira unidade da classe que leva seu nome, série de dez navios que serviram como base da Marinha americana durante a Guerra Fria. Ao longo de cinco décadas, atuou em operações humanitárias e conflitos nos oceanos Índico, Pacífico, Atlântico e no Golfo Pérsico. Atualmente, a frota passa por um processo de transição, com a substituição gradual de navios como o Nimitz pela nova geração da classe Gerald R. Ford.