Repatriação de corpo do Brasil na Venezuela pode custar R$ 50 mil, revela caso de pastor
O pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morreu após a queda de uma parede durante terremotos na Venezuela. A família organiza uma arrecadação para custear a repatriação do corpo ao Brasil, orçada em R$ 50 mil. O desastre natural deixou 1.719 mortos, 5.034 feridos e cerca de 50 mil desaparecidos no país
A morte do pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, vítima de terremotos na Venezuela, expõe a complexidade e os altos custos envolvidos na repatriação de corpos para o Brasil. Embora o custo de uma passagem aérea comercial entre Caracas e Uberlândia seja baixo, o transporte de um falecido exige protocolos rigorosos que elevam a despesa para cerca de R$ 50 mil, valor que levou a família a organizar uma campanha de arrecadação virtual.
O óbito ocorreu na madrugada de quinta-feira (25), após o casal, composto pelo pastor e sua esposa, Carlha Nacarid, ser atingido pela queda de uma parede enquanto buscavam abrigo durante os sismos. Carlha permaneceu ferida e internada no país. Romildo, natural de Chapada de Minas e residente em Uberlândia há mais de uma década, visitava familiares da esposa em Caracas e havia comemorado seu aniversário quatro dias antes da tragédia.
A impossibilidade de utilizar voos comerciais para o traslado foi confirmada após a liberação do corpo para a funerária, quando se constatou que o estado de conservação do falecido impedia esse tipo de transporte. A operação de repatriação é regida por normas sanitárias e consulares específicas, exigindo embalsamamento, atestados que comprovem a ausência de doenças contagiosas e a contratação de serviços funerários especializados. Em casos de doenças infectocontagiosas, a legislação exige o uso de urnas metálicas hermeticamente fechadas.
O Itamaraty esclarece que, embora o registro consular de óbito seja gratuito, o governo brasileiro não custeia despesas com embalsamamento, cremação, sepultamento ou o próprio translado, exceto em situações excepcionais. Assim, os custos, que em casos internacionais podem variar entre R$ 30 mil e R$ 200 mil dependendo da distância e urgência, recaem sobre a família ou redes de apoio.
Para a legalização do processo, é necessário que a representação brasileira no país onde ocorreu a morte emita a certidão de óbito, mediante a apresentação de documentos de identidade do falecido e do declarante, além de formulários específicos. Posteriormente, esse documento deve ser transcrito em um cartório de registro civil no Brasil para ter validade jurídica.
No contexto venezuelano, a logística foi agravada por questões de segurança que causaram o fechamento temporário do aeroporto de Caracas. O cenário geral no país é crítico: dois terremotos sucessivos na região norte, os mais fortes em mais de um século, resultaram em 1.719 mortos, 5.034 feridos e aproximadamente 50 mil desaparecidos. O governo brasileiro confirmou a morte de outros dois cidadãos brasileiros no desastre e informou que presta assistência consular aos familiares.