Ciência

Adidas desenvolve bola para a Copa do Mundo com design de apenas quatro painéis

15 de Maio de 2026 às 06:46

A Adidas desenvolveu a Trionda, bola da Copa do Mundo no Canadá, Estados Unidos e México, com quatro painéis unidos termicamente e superfície rugosa. O modelo reduz a instabilidade aerodinâmica em velocidades a partir de 43 km/h e integra chip interno para auxiliar o VAR

Adidas desenvolve bola para a Copa do Mundo com design de apenas quatro painéis
EFE

A engenharia aerodinâmica da bola Trionda, modelo oficial para a Copa do Mundo masculina sediada por Canadá, Estados Unidos e México, apresenta características distintas em comparação às versões anteriores, com foco na estabilidade de voo e na precisão da arbitragem. Desenvolvida pela Adidas, a esfera introduz, pela primeira vez na história do torneio, um design de apenas quatro painéis unidos termicamente por calor e adesivo.

Testes realizados em túneis de vento na Universidade de Tsukuba, no Japão, e na Inglaterra, revelaram que a Trionda possui uma superfície mais rugosa que seus antecessores. O modelo conta com texturas superficiais e três sulcos profundos em cada painel, elementos projetados para evitar a instabilidade aerodinâmica. Essa configuração impacta a chamada "crise de resistência" — a faixa de velocidade onde ocorrem mudanças bruscas na trajetória e aceleração da bola. Na Trionda, esse fenômeno ocorre a aproximadamente 43 km/h, marca inferior aos 50-65 km/h do Al Rihla (2022), Telstar 18 (2018) e Brazuca (2014), e significativamente menor que a faixa de 79-97 km/h da Jabulani (2010).

A análise técnica indica que a Trionda mantém um coeficiente de resistência mais constante e uniforme em velocidades típicas de cobranças de falta e escanteios, o que reduz a probabilidade de comportamentos erráticos no ar, problema que marcou a Jabulani. Contudo, as medições apontam que, em regimes de fluxo turbulento de alta velocidade, a Trionda apresenta coeficientes de resistência ligeiramente superiores aos do Brazuca, Telstar 18 e Al Rihla. Na prática, isso sugere que lançamentos de longa distância e alta potência podem perder alguns metros de alcance.

Além da aerodinâmica, a bola integra a "tecnologia de bola conectada" para auxiliar o VAR e o sistema semiautomático de impedimentos. Diferente do modelo de 2022, onde a unidade de medição ficava suspensa no centro, a Trionda possui o chip localizado em uma camada interna de um dos painéis, com pesos estabilizadores distribuídos nos outros três.

Essa evolução tecnológica contrasta com as origens do equipamento. Em 1930, as finais utilizaram as bolas Tiento (Argentina) e T-Model (Uruguai), ambas de couro costuradas à mão e sujeitas a absorver água, o que alterava o peso e a previsibilidade. A transição para designs baseados em espuma começou a se consolidar em 1994 com a Questra, transformando a bola de um simples objeto de couro em uma superfície de engenharia aerodinâmica.

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