Ciência

Amostras de gelo da Antártida revelam a presença de isótopo raro com origem extraterrestre

12 de Maio de 2026 às 06:48

Amostras de gelo da Antártida datadas entre 40.000 e 81.000 anos revelaram a presença do isótopo extraterrestre ferro-60. A pesquisa, liderada por Dominik Koll e publicada na Physical Review Letters, analisou 295 kg de gelo do projeto EPICA. Os dados indicam que a Terra transitou por diferentes densidades de poeira interestelar nos últimos 80.000 anos

Amostras de gelo da Antártida revelam a presença de isótopo raro com origem extraterrestre
NSF/COLDEX

A análise de amostras de gelo da Antártida revelou a presença de ferro-60, um isótopo raro com origem extraterrestre, indicando que a Terra preserva vestígios de eventos cósmicos violentos ocorridos há milhares de anos. O estudo, publicado na revista Physical Review Letters, identificou o elemento em camadas datadas entre 40.000 e 81.000 anos, transformando o gelo antártico em um arquivo vertical de partículas atmosféricas e espaciais.

A pesquisa foi conduzida por uma equipe liderada pelo astrofísico nuclear Dominik Koll, do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf, na Alemanha. Para validar se o sinal detectado em neves recentes também constava em estratos mais antigos, os cientistas processaram 295 kg de gelo provenientes do projeto europeu EPICA. O procedimento consistiu em derreter as amostras e separar os resíduos sólidos para a contagem minuciosa de átomos do isótopo.

A conclusão de que o ferro-60 provém de fora do planeta baseia-se no fato de que esse elemento não se forma naturalmente em quantidades relevantes na Terra e possui uma meia-vida de aproximadamente 2,6 milhões de anos. Esse dado descarta a possibilidade de que a substância seja remanescente da Terra primitiva, vinculando sua presença a fenômenos como explosões de supernovas.

Os dados indicam que o Sistema Solar atravessa a Nuvem Interestelar Local, uma região composta por plasma, poeira e gás que pode conter detritos de supernovas antigas. A variação na concentração do isótopo — menor nas camadas antigas do que na neve das últimas décadas — sugere que o ambiente cósmico mudou nos últimos 80.000 anos, evidenciando que a Terra transitou primeiro por uma área de poeira interestelar mais rarefeta antes de entrar em uma região mais densa.

Com informações de El Confidencial

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