Ciência

Análise astronômica indica que os braços espirais externos da Via Láctea são 10% maiores que o previsto

12 de Julho de 2026 às 06:03

Uma análise astronômica indicou que os braços espirais externos da Via Láctea são 10% maiores do que as estimativas anteriores. Pesquisadores utilizaram telescópios da NASA e da ESA para medir ecos de raios X provenientes de explosões de raios gama. O estudo focou nos eventos GRB 031203, GRB 160623A e GRB 221009A

Análise astronômica indica que os braços espirais externos da Via Láctea são 10% maiores que o previsto
Kevin Morefield/Astronomy Photographer of the Year

Uma nova análise astronômica revelou que os braços espirais externos da Via Láctea podem ser 10% maiores do que as estimativas anteriores. A descoberta altera a compreensão sobre a distância entre as extremidades da galáxia e o seu centro, utilizando um método de medição baseado em geometria para superar as incertezas de modelos que dependem da rotação galáctica.

Para alcançar esse resultado, pesquisadores monitoraram ondas de raios X provenientes de explosões de raios gama (GRB) — fenômenos violentos como a fusão de estrelas de nêutrons ou o colapso de estrelas maciças — que ocorreram fora da Via Láctea. Ao ricochetear em nuvens de poeira localizadas nos braços espirais, essa radiação criou ecos com estrutura anular. Através do telescópio espacial Chandra, da NASA, e do XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA), os cientistas mediram o diâmetro desses anéis para calcular a distância exata em relação à Terra.

O estudo focou em três fontes específicas de radiação: GRB 031203, GRB 160623A e GRB 221009A. A análise de um desses eventos demonstrou que tanto o braço externo quanto o braço de Escudo-Centaurum estão situados a uma distância 10% superior à prevista anteriormente.

A Via Láctea é classificada como uma galáxia espiral composta por um núcleo central, um halo esférico e um disco galáctico. Este disco, que possui cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro e 1.000 anos-luz de espessura, apresenta uma leve curvatura e abriga entre 100 bilhões e 400 bilhões de estrelas. O Sistema Solar está posicionado no braço de Órion — um ramal secundário entre os braços de Sagitário e Perseu — a aproximadamente 26 mil anos-luz do buraco negro supermaciço Sagitário A*, localizado no centro da galáxia.

A estrutura do disco é definida por dois braços principais, Escudo-Centaurum e Perseus, e dois secundários, Norma e Sagitário, além do braço de Órion e de um braço externo. Essas regiões espirais se destacam por concentrações de gás e matéria estelar com tonalidades azuladas, o que indica a presença de estrelas jovens e maciças que consomem combustível nuclear rapidamente, tornando-os centros de formação estelar contínua.

Embora a técnica de ecos de raios X tenha aumentado a precisão do mapeamento, sua aplicação sistemática é limitada pela raridade das explosões de raios gama visíveis no plano galáctico. No entanto, a expansão do conhecimento sobre a morfologia da Via Láctea deve prosseguir com a combinação de dados da missão Gaia e a futura operação do NewAthena, observatório de raios X de nova geração da ESA, que permitirá a detecção de ecos de radiação mais fracos nas periferias da galáxia.

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