Ciência

Análise de cristais na Austrália indica que a Terra teve continentes muito antes do esperado

10 de Maio de 2026 às 20:46

Análise de cristais de circon de 4,4 bilhões de anos em Jack Hills, na Austrália, indica a existência de continentes na Terra primitiva. O estudo, publicado na revista Nature, sugere que a crosta continental se formou durante o Éon Hádico

Análise de cristais na Austrália indica que a Terra teve continentes muito antes do esperado
James St John/CC By 2.0

A análise de cristais de circon encontrados em Jack Hills, na Austrália Ocidental, indica que a Terra primitiva pode ter abrigado continentes em um período muito anterior ao que se acreditava. O estudo, publicado na revista Nature, baseia-se em minerais com até 4,4 bilhões de anos, permitindo que a pesquisa retroceda até o início do Éon Hádico, embora as rochas intactas mais antigas da região tenham cerca de 4,16 bilhões de anos.

Esses cristais microscópicos são os minerais mais antigos conhecidos e resistiram a milhões de anos de atividade geológica, servindo como registros da evolução inicial da crosta terrestre. Para aprofundar a investigação, a equipe comparou as amostras australianas com circones do Greenstone Belt, na África do Sul, formados ao final do Éon Hádico. A disparidade nas proporções de elementos como escândio, urânio e nióbio revelou que esses minerais não surgiram em um ambiente geológico uniforme.

Os dados sugerem que a maioria dos circones de Jack Hills não se originou no manto, mas em uma crosta continental, possivelmente formada sobre uma zona de subducção. Essa evidência questiona a teoria de que a Terra era coberta por uma camada única. Em vez disso, os autores propõem a coexistência de regiões rígidas e áreas dinâmicas, onde plumas do manto transportavam materiais superficiais para o interior, processo que teria favorecido a criação de blocos continentais e granitos.

Essa configuração geológica altera a compreensão sobre a habitabilidade do planeta. A existência de continentes emergidos amplia os ambientes onde a vida poderia ter surgido, sugerindo que a superfície terrestre foi habitável durante aproximadamente 800 milhões de anos de história, mesmo sem a presença de registros fósseis desse período.

Com informações de El Confidencial

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