Ciência

Análise de isótopos em minerais permite distinguir magma do manto terrestre de contaminações da crosta

09 de Abril de 2026 às 06:22

A pirita, dissulfeto de ferro confundido historicamente com o ouro, é utilizada atualmente para analisar o deslocamento do magma do manto terrestre para a crosta. Pesquisas da Universidade Nacional da Austrália no Arco de Sunda utilizam a análise de isótopos de oxigênio para distinguir materiais originais de contaminações crustais

A pirita, mineral caracterizado por um brilho metálico e coloração dourada, desempenha um papel central na evolução do conhecimento geológico, transitando de um elemento de confusão para garimpeiros a uma ferramenta de análise científica. Entre os séculos XVIII e XIX, a substância foi frequentemente confundida com o ouro, gerando prejuízos financeiros a exploradores, conforme documentado pela Sociedade Geológica da América.

A distinção entre os materiais reside em propriedades físicas e químicas fundamentais. Enquanto o ouro é um elemento nobre e maleável, a pirita é um dissulfeto de ferro, apresentando rigidez e fragilidade. Testes simples revelam a diferença: a pirita é capaz de riscar o vidro, enquanto o ouro é mais macio. Além disso, registros químicos do início do século XX apontam que o mineral libera odor de enxofre ao ser aquecido. Antes da disseminação dos fósforos no século XIX, a pirita também teve utilidade prática na geração de faíscas para acender fogo.

Atualmente, as características desse mineral auxiliam na compreensão de processos geológicos complexos, como a análise de rochas vulcânicas. O foco recai sobre o deslocamento do magma do manto terrestre para a crosta, trajetória na qual a composição do material é alterada pela interação com outras substâncias. Esse fenômeno, denominado "ruído crustal" desde o final do século XX, mascara as propriedades originais do magma.

Para mitigar essa dificuldade de identificação, a ciência passou a investigar microestruturas de cristais. A partir da década de 1990, a espectrometria de massa de íons secundários tornou-se uma técnica frequente nesse processo. Avanços significativos ocorreram no Arco de Sunda, onde pesquisas da Universidade Nacional da Austrália comprovaram que a análise de isótopos de oxigênio em minerais permite distinguir o material originário do manto terrestre de contaminações provenientes da crosta, ampliando a compreensão sobre a dinâmica interna do planeta.

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