Análise do James Webb indica que a lua Nereida é um remanescente original de Netuno
Análises do telescópio James Webb indicam que a lua Nereida é um remanescente original de Netuno. O estudo aponta que a captura gravitacional de Tritão causou instabilidade e destruiu a maioria dos satélites anteriores do planeta. A composição química de Nereida e sua órbita excêntrica fundamentam a hipótese

A análise da órbita e da composição química da lua Nereida, realizada com o auxílio do telescópio espacial James Webb, indica que o sistema de Netuno passou por um evento catastrófico no passado. O estudo sugere que a lua Nereida seja uma sobrevivente original do planeta, tendo resistido a um período de instabilidade gravitacional extrema que destruiu a maioria dos satélites naturais anteriores de Netuno.
A instabilidade teria sido provocada pela chegada de Tritão, que não se formou ao redor do planeta, mas foi capturado gravitacionalmente após vagar pelo Sistema Solar externo, vindo do Cinturão de Kuiper. A evidência central dessa captura é a órbita retrógrada de Tritão, que gira em sentido oposto à rotação de Netuno. Esse processo teria gerado um caos gravitacional, resultando em colisões gigantescas que reduziram antigas luas a fragmentos e anéis de detritos.
Nereida apresenta um dos movimentos mais excêntricos do Sistema Solar, com uma órbita incomum que varia drasticamente de distância e leva quase um ano terrestre para completar uma volta ao redor de Netuno. Essa perturbação orbital é atribuída ao impacto gravitacional causado pela entrada de Tritão no sistema.
As novas análises de precisão do James Webb revelaram que a superfície de Nereida é rica em gelo de água, composição química incompatível com objetos originários do Cinturão de Kuiper. Esse dado enfraquece a teoria de que Nereida também teria sido capturada, reforçando a hipótese de que ela seja um remanescente do sistema original de Netuno.
A compreensão desses eventos extremos auxilia a ciência a entender a evolução de sistemas planetários e a formação de planetas gigantes, sugerindo que episódios gravitacionais violentos podem ser mais frequentes do que se acreditava.
Apesar da relevância dos achados, o sistema de Netuno permanece pouco explorado, tendo recebido apenas a visita da sonda Voyager 2 em 1989. Diante do potencial de Netuno em guardar pistas sobre os primeiros bilhões de anos do Sistema Solar, a comunidade científica discute novas missões espaciais e planeja aprofundar as observações sobre Nereida e Tritão para reconstruir a história de destruição e reformulação orbital do planeta.