Análises genéticas confirmam que esqueletos de mãe e filha foram enterradas juntas na Itália
Análises genéticas de esqueletos do Paleolítico encontrados na Calábria, Itália, confirmaram que os indivíduos eram mãe e filha. O estudo identificou na adolescente a displasia relacionada ao gene NPR2, o diagnóstico genético mais antigo já registrado
Análises genéticas avançadas realizadas em restos mortais encontrados na Grotta del Romito, na região da Calábria, no sul da Itália, confirmaram que dois esqueletos do período Paleolítico, enterrados em posição de abraço há cerca de 12 mil anos, eram mãe e filha. O estudo, publicado pelo New England Journal of Medicine, utilizou a extração de DNA do osso do ouvido interno para obter material de alta qualidade, resolvendo um debate de décadas sobre a relação entre os indivíduos.
A investigação revelou que a adolescente possuía a displasia relacionada ao gene NPR2, uma condição genética rara que provoca o encurtamento severo dos membros. Com aproximadamente 110 centímetros de altura, a jovem apresentava uma estatura significativamente inferior à média de sua idade, o que torna este o diagnóstico genético mais antigo já registrado. A mulher mais velha carregava apenas uma cópia alterada do mesmo gene, resultando em uma estatura levemente reduzida, porém sem as limitações físicas graves da filha.
Os dados genéticos conectam ambas a um grupo de antigos caçadores europeus e evidenciam que a mesma linhagem pode manifestar diferentes condições físicas. A sobrevivência da adolescente durante a Era do Gelo, apesar de suas limitações motoras, indica a existência de cooperação e cuidado coletivo, já que ela não teria conseguido subsistir sem auxílio.
A preservação natural da caverna permitiu que os esqueletos resistissem ao tempo, possibilitando a identificação de práticas sociais avançadas para a época. A descoberta refuta a premissa de que as sociedades primitivas eram movidas apenas pela sobrevivência individual, demonstrando que a empatia e o suporte comunitário foram elementos centrais na evolução humana e na superação de anomalias genéticas desde a pré-história.