Antártida Ocidental registra ausência de gelo marinho equivalente ao território da França neste inverno
A Antártida Ocidental registrou a ausência de 650 mil km² de gelo marinho no início do inverno austral, volume inferior à média de 1991 a 2020. Em 10 de junho, a extensão total de gelo no continente foi de 11,4 milhões de km². A base argentina Esperanza marcou máximas de 15,4 °C e 13,4 °C nos dias 5 e 6 de junho
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A Antártida Ocidental apresenta uma anomalia na formação de gelo marinho que altera a dinâmica climática e biológica da região. No mar de Bellingshausen e na península antártica, o inverno austral iniciou-se sem a expansão habitual da camada de gelo, resultando em uma ausência de aproximadamente 650.000 km² em comparação à média registrada entre 1991 e 2020. A dimensão da área faltante equivale ao território da França.
O cenário é crítico porque junho é o período de rápida expansão do gelo, que costuma atingir seu ápice em setembro. Em 10 de junho, a extensão total de gelo marinho em toda a Antártida era de 11,4 milhões de km², valor inferior à média de 12,6 milhões de km² para a mesma data. O fenômeno ocorre pela terceira vez em quatro anos, indicando uma mudança profunda no oceano, embora a ciência ainda busque quantificar a influência direta do aquecimento global nesse processo.
A falta dessa camada protetora impacta a troca de calor entre a atmosfera e o oceano e fragiliza a cadeia alimentar. O krill, que utiliza o gelo como refúgio e fonte de alimento (algas) durante o inverno, fica vulnerável, afetando espécies dependentes, como os pinguins-imperadores. O British Antarctic Survey monitora se a quebra precoce e a formação tardia do gelo podem acelerar o declínio das colônias, especialmente após o colapso reprodutivo de 2022, que causou a morte de milhares de filhotes.
A ausência de gelo marinho também expõe a costa e pode favorecer a ruptura de plataformas flutuantes que servem como barreiras naturais para geleiras como Thwaites e Pine Island, acelerando a perda de massa glacial e a elevação do nível do mar.
Paralelamente, a península antártica registrou temperaturas excepcionais. Nos dias 5 e 6 de junho, a base argentina Esperanza marcou máximas de 15,4 °C e 13,4 °C, enquanto a média habitual para o período é de -6,2 °C. A falta de gelo marinho pode ter intensificado a entrada de massas de ar quente vindas do norte, potencializando esse episódio térmico.