Ciência

Apenas 3% das Áreas Marinhas Protegidas do Mediterrâneo possuem proteção efetiva, aponta Bluewave Alliance

12 de Junho de 2026 às 12:08

Apenas 3% das Áreas Marinhas Protegidas do Mediterrâneo possuem proteção efetiva, conforme discutido no Symposium da Bluewave Alliance em Barcelona. O evento abordou a poluição do mar, a degradação de ecossistemas e apresentou ações de regeneração, como o plantio de 87 mil mudas de posidonia e a remoção de 500 toneladas de plástico

Apenas 3% das Áreas Marinhas Protegidas do Mediterrâneo possuem proteção efetiva, aponta Bluewave Alliance
BWA

Apenas 3% das Áreas Marinhas Protegidas (AMP) do Mediterrâneo possuem proteção efetiva, segundo alerta emitido durante o Symposium da Bluewave Alliance (BWA). O evento, promovido pela ISDIN no Port Olímpic de Barcelona, reuniu cientistas, pesquisadores, ativistas e empresas para debater a recuperação do Mediterrâneo, classificado como o mar mais poluído do planeta.

Embora 25% da região mediterrânea espanhola seja catalogada como AMP — espaços destinados à preservação de ecossistemas e elementos biológicos ou geológicos —, a maior parte dessas zonas não recebe a gestão e o monitoramento necessários. Joaquim Garrabou, pesquisador do ICM-CSIC e membro do comitê científico da BWA, define essas áreas como "parques de papel", pois a ausência de medidas reais de conservação permite a continuidade de atividades prejudiciais à biodiversidade, a exemplo da pesca de fundo.

A degradação dos ecossistemas marinhos é impulsionada por fatores como os impactos da pesca e a elevação da temperatura da água em 1,5 grau centígrado, pontos discutidos por pesquisadores da Universitat de Barcelona e do CEAB-CSIC. A influência humana atinge inclusive as profundezas oceânicas; Héctor Salvador, piloto de submarinos, relatou que, em expedição à Fossa das Marianas, a 10.700 metros de profundidade, espécies recém-descobertas apresentavam ingestão de microplásticos.

Como contrapartida, a Bluewave Alliance, iniciativa criada há quatro anos para integrar ciência e sustentabilidade, apresentou resultados de suas ações. O CEO da ISDIN, Juan Naya, informou o plantio de mais de 87 mil mudas de posidonia no Mediterrâneo via Associação Vellmarí, a remoção de 500 toneladas de plástico com a Gravity Wave e a realização de workshops educativos para mais de 7 mil crianças. A eficácia da regeneração ambiental foi exemplificada por meio de documentários que mostraram a recuperação de ecossistemas nas AMP da Ilha do Toro e das Ilhas de Malgrat, em Mallorca.

O debate no simpósio também abordou a responsabilidade corporativa. Representantes da Tropicfeel, Port de Barcelona e A Mar es Espectacular defenderam que a sustentabilidade deve ser o eixo central da estratégia empresarial. Naya reiterou que a ISDIN busca reduzir sua pegada ambiental através de ingredientes ecológicos e produtos recicláveis.

A programação incluiu a apresentação de projetos de biodiversidade por Xavier Turon e Paula López, além de discussões sobre a importância da divulgação científica e da educação para as novas gerações. O evento foi encerrado com a entrega dos Bluewave Awards, que premiaram Àlex Aguilar (Ciência), Josep Pascual (Conservação) e Carlota Bruna (Conscientização).

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