Ciência

Aproximação de planetas anões pode ter causado extinções em massa na Terra, sugere estudo italiano

26 de Junho de 2026 às 12:19

O professor Daniele Fargion propõe que a aproximação de planetas anões do sistema solar exterior causou extinções em massa na Terra nos últimos 600 milhões de anos. Segundo o estudo, a influência gravitacional desses corpos gerou marés, vulcanismo e desvios de meteoritos. O pesquisador recomenda o monitoramento do espaço profundo para detectar novos objetos de massa planetária

Aproximação de planetas anões pode ter causado extinções em massa na Terra, sugere estudo italiano
Imagen del poster de 'The Day After Tomorrow'.

A aproximação de objetos com massa planetária ou planetas anões vindos do sistema solar exterior pode ter sido o gatilho para diversas extinções em massa na Terra ao longo dos últimos 600 milhões de anos. A tese é defendida por Daniele Fargion, professor de pesquisa da Universidade de Roma e do Observatório Astronômico de Capodimonte, em artigo apresentado no congresso "Comportamento multifrequencial de fontes cósmicas de alta energia", em Palermo, em junho de 2025.

O estudo, disponível no servidor arxiv.org, sugere que a influência gravitacional desses corpos, ao orbitarem próximo ao nosso planeta, teria provocado efeitos devastadores. Diferente de colisões diretas, que são menos prováveis, essas aproximações gerariam marés intensas, ondas gigantes, regressões marinhas, perturbações climáticas e episódios de atividade vulcânica. Além disso, a passagem desses objetos pelos cinturões de Kuiper e de asteroides poderia ter desviado meteoritos em direção à Terra, potencializando as catástrofes.

Fargion argumenta que a existência de milhares de planetas anões em órbitas elípticas no sistema solar exterior, como Plutão, fundamenta essa hipótese. O pesquisador aponta que anomalias no sistema solar interior corroboram a ocorrência de encontros semelhantes: a inclinação do eixo de rotação de Urano, a captura de Tritão por Netuno e a existência de luas com órbitas retrógradas.

No caso da Terra, o autor destaca que a maior extinção conhecida, ocorrida há 251 milhões de anos no período Pérmico-Triássico, eliminou entre 80% e 95% das espécies globais. Para esse evento, não foram encontrados crateras de meteoritos ou anomalias de irídio que justifiquem a mortalidade, tornando a teoria das marés gravitacionais uma explicação viável para registros geológicos complexos que não podem ser atribuídos apenas a vulcões ou impactos isolados.

Evidências adicionais seriam encontradas em fósseis de corais do final do Devoniano. Segundo o estudo, houve uma desaceleração repentina na taxa de diminuição dos anéis de crescimento diário, indicando que a distância entre a Terra e a Lua aumentou significativamente naquele período. Para Fargion, tal mudança não teria sido causada por uma colisão, mas sim pela força gravitacional de um planeta ou lua visitante, o que também teria deformado a crosta terrestre e gerado aquecimento interno, disparando erupções vulcânicas.

Embora a frequência e a massa desses objetos visitantes sejam difíceis de estimar, o pesquisador utiliza Júpiter como referência. Cálculos indicam que o gigante gasoso sofreu 16 colisões com objetos de 0,5 massa terrestre em sua história, sugerindo que a população de planetas anões há quatro bilhões de anos era superior à atual.

Diante da possibilidade de novos eventos, o estudo recomenda o monitoramento do espaço profundo para a detecção precoce de planetas anões. Enquanto asteroides podem ser desviados, objetos de massa planetária exigiriam a construção de abrigos em altitudes elevadas, entre 2 e 3 quilômetros, para proteger a humanidade de tsunamis colossais e persistentes.

Por fim, Fargion propõe que esse ciclo de extinções astronômicas possa explicar o paradoxo de Fermi. A instabilidade da vida e a recorrência de catástrofes gravitacionais poderiam destruir civilizações avançadas, forçando o reinício da vida em níveis primordiais.

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