Ciência

Arqueólogos descobrem depósito com 22 múmias de cantores de Amun em Luxor no Egito

12 de Maio de 2026 às 09:15

Arqueólogos encontraram em Qurna, Luxor, um depósito funerário com 22 caixões de madeira contendo múmias de sacerdotes e sacerdotisas de Amun datadas entre 1069 a.C. e 664 a.C. A câmara, localizada sob a Tumba de Seneb, também abrigava oito papiros selados e potes de cerâmica com resinas e óleos

Arqueólogos descobrem depósito com 22 múmias de cantores de Amun em Luxor no Egito
Vista da câmara recém-aberta sob o pátio da Tumba de Seneb.

Arqueólogos descobriram, em Qurna, na margem oeste de Luxor, um depósito funerário composto por uma câmara retangular escavada na rocha sob o pátio sudoeste da Tumba de Seneb. O achado, anunciado em 28 de fevereiro de 2026, foi realizado por uma missão coordenada pela Fundação Zahi Hawass para a Herança e Antiguidades e é classificado pelo ministro do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy, como uma adição significativa ao registro arqueológico egípcio.

A câmara, que permanecia invisível na superfície sob uma laje rebaixada no pátio, abrigava 22 caixões de madeira pintada contendo múmias. O arranjo interno revela um planejamento ritual rigoroso, com os caixões organizados em dez fileiras horizontais, onde tampas e bases foram separadas para otimizar o espaço. A estrutura indica que a tumba original foi reutilizada intencionalmente como depósito em fases posteriores.

A maioria dos indivíduos mumificados detém o título hieroglífico de "Cantor de Amun" ou "Cantora de Amun". Essa classe sacerdotal era responsável pelos rituais diários dedicados ao deus Amun em Karnak e em outros templos do alto Egito. O grupo de múmias datado entre 1069 a.C. e 664 a.C. (dinastias 21 a 25) representa a maior concentração dessa categoria profissional já registrada em um único depósito, superando em quatro vezes a média comum de cinco a dez peças em achados similares.

Este intervalo temporal corresponde ao Período Intermediário III, época de fragmentação política após o colapso do Novo Império. Enquanto o poder político migrava para o Delta, Tebas consolidava-se como centro religioso, elevando o peso administrativo de sacerdotes e cantores. A análise das pinturas nos caixões deve auxiliar no refinamento da cronologia oficial desse período, que possui menos documentação que os impérios Médio e Novo.

Além dos sarcófagos, a equipe localizou oito papiros selados com argila, conservados dentro de um grande pote de cerâmica. Documentos intactos desse período são raros, com a última descoberta de magnitude comparável tendo ocorrido na década de 1960. Os rolos, de dimensões variadas, estão sob custódia de restauradores no Museu Egípcio, no Cairo, que definem o protocolo de abertura mecânica e análise química para evitar a destruição da estrutura.

O depósito também continha potes de cerâmica que armazenavam resinas e óleos utilizados nos processos de mumificação. Esses recipientes aguardam análise para a identificação de vestígios químicos.

A identificação individual das múmias dependerá de exames complementares, incluindo análises de DNA para verificar possíveis parentescos entre as Cantoras de Amun. Após a conclusão da fase de conservação, o ministério planeja realizar uma exposição pública, embora o calendário ainda não tenha sido divulgado. Novos detalhes sobre a descoberta serão apresentados pela Fundação Hawass em conferências previstas para o segundo semestre de 2026.

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