Ciência

Arqueólogos descobrem papiros de 3 mil anos em escavações na margem oeste de Luxor

09 de Abril de 2026 às 18:25

Arqueólogos descobriram em Luxor papiros de 3 mil anos e uma câmara funerária com sarcófagos de cantores de Amon. Em Wadi El-Natrun, foram localizados um mosteiro e uma hospedaria do século V. No Planalto de Gizé, radares indicaram a presença de túneis e poços subterrâneos

Escavações na margem oeste de Luxor resultaram na descoberta de papiros com aproximadamente 3.000 anos, preservados dentro de um vaso de cerâmica. Os rolos, que datam do Terceiro Período Intermediário, foram localizados ao lado de caixões coloridos pertencentes aos cantores de Amon, devotos vinculados aos templos do deus Amon no Egito Antigo. Parte do material destaca-se pelo estado de conservação, com a manutenção de selos originais de argila.

Os documentos, que apresentam tamanhos variados, passam atualmente por processos de restauração e tradução, permanecendo selados até que o conteúdo seja revelado. A expectativa é que esses registros ampliem as pesquisas sobre a classe de cantores e gaitistas daquela época.

Próximo aos papiros, os arqueólogos identificaram uma câmara funerária escavada na rocha. Para otimizar o espaço interno, os egípcios organizaram os sarcófagos em dez fileiras horizontais, separando as tampas das caixas para maximizar a capacidade do local. Embora as peças tragam títulos, a identidade individual dos sepultados permanece desconhecida, sendo a designação "Cantor(es) de Amon" a informação mais recorrente.

Devido à deterioração da madeira e da camada de gesso pintada, a equipe de conservação realizou intervenções urgentes. O trabalho incluiu o tratamento de fibras degradadas e a limpeza mecânica para remover depósitos sem danificar as cores vibrantes das superfícies, estabilizando as peças para análises futuras.

O ministro do Turismo e Antiguidades do Egito, Sherif Fathy, vinculou o achado à estratégia do Estado em apoiar a pesquisa arqueológica e preservar o patrimônio cultural.

Paralelamente, outras frentes de investigação no país registraram avanços. Em Wadi El-Natrun, as areias do deserto revelaram um antigo mosteiro de tijolos de barro com fornos, celas de monges, cruzes, pinturas de palmeiras e inscrições sobre a rotina dos religiosos. Na mesma região, foi encontrada uma hospedaria monástica do século V, composta por 13 cômodos, cozinhas, depósitos, obras de arte, inscrições gregas e uma coluna de mármore. No Planalto de Gizé, varreduras de radar sugerem a existência de uma rede subterrânea de túneis e poços, levantando a hipótese de uma segunda Esfinge.

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