Arqueólogos descobrem tumba com doze esqueletos nabateus sob o Tesouro de Petra na Jordânia
Arqueólogos localizaram na Jordânia uma tumba nabateia com 12 esqueletos e artefatos de ferro, bronze e cerâmica. A câmara, datada entre o século I a.C. e o início do século II d.C., foi encontrada sob a praça do Al-Khazneh

Arqueólogos localizaram uma tumba secreta sob a praça em frente ao Al-Khazneh, conhecido como o Tesouro de Petra, na Jordânia. A câmara, que permaneceu lacrada por aproximadamente 2.000 anos, continha 12 esqueletos completos do período nabateu. O achado é considerado a maior descoberta no sítio arqueológico nas últimas duas décadas e deve gerar novas investigações até 2026.
A operação foi coordenada por uma equipe internacional do American Center of Research (ACOR), sob a liderança de Pearce Paul Creasman, em cooperação com a Universidade de St Andrews e o Departamento de Antiguidades da Jordânia. A localização exata da câmara, que possui 5,5 metros de comprimento, 5,5 metros de largura e 2,7 metros de altura, foi determinada pelo geofísico Richard Bates por meio de radar de penetração no solo (GPR), evitando escavações aleatórias.
A estratégia de busca baseou-se em pesquisas de 2003, que haviam identificado duas tumbas com sete restos humanos no lado leste do monumento. A hipótese de simetria levou a equipe a investigar o lado oeste em 2024, utilizando três métodos não destrutivos: o GPR, que mapeia estruturas via ondas eletromagnéticas; o imageamento por resistividade elétrica, que identifica vazios na rocha; e a magnetometria, capaz de detectar anomalias causadas por paredes e cavidades enterradas. A convergência dos três métodos no mesmo ponto permitiu a autorização para a escavação física.
No interior da câmara, intacta e sem sinais de saques, os 12 esqueletos foram encontrados em arranjo ritual. Junto aos corpos, foram recuperados objetos de ferro, bronze e cerâmicas de paredes finas com decorações pintadas, típicas do estilo nabateu. Um dos indivíduos segurava um cálice de cerâmica em formato de taça, exemplar único já registrado nesse contexto. A tipologia dos vasos datou a tumba entre o século I a.C. e o início do século II d.C., período que compreende o auge do reino nabateu.
A descoberta reforça a teoria de que o Al-Khazneh — fachada de 39 metros esculpida em rocha rosa-vermelha no século I a.C. — funcionava como o centro de um complexo funerário maior, e não apenas como um monumento isolado. A localização e a natureza do sepultamento sugerem que os indivíduos pertenciam à elite nabateia, possivelmente membros da família real ou de uma casta sacerdotal de alto status.
Atualmente, os ossos passam por análises isotópicas e aguardam testes de DNA antigo e datação por radiocarbono. Esses exames laboratoriais visam determinar a origem geográfica, a dieta e o parentesco dos enterrados, confirmando se eram locais ou vindos de outras regiões do reino.
Para mitigar o impacto físico no sítio, que é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1985 e uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, a preservação tem priorizado a detecção remota. A partir de 2025, uma parceria entre o ACOR e a empresa francesa Iconem implementará a documentação digital tridimensional de Petra, utilizando LiDAR, laser scanning e fotogrametria para a criação de um gêmeo digital.
As atividades de campo para 2026 focarão na expansão da área de investigação ao redor da câmara, dado que há indícios de outras tumbas adjacentes. Enquanto isso, o governo jordaniano, para quem o turismo arqueológico representa cerca de 12% do PIB, avalia a viabilidade de abrir a câmara para visitação pública controlada.