Arqueólogos encontram múmia revestida de ouro em túmulo intacto de Saqqara no Egito
Uma expedição da Fundação Zahi Hawass e do Conselho Supremo de Antiguidades encontrou em Saqqara uma múmia revestida de ouro em um caixão de calcário. A descoberta inclui três tumbas das dinastias V e VI pertencentes a um sacerdote, um juiz e um homem identificado como Messi. O grupo utilizará tomografia e fotografia multiespectral para analisar os achados

Uma expedição conduzida pela Fundação Zahi Hawass de Arqueologia e Patrimônio, em cooperação com o Conselho Supremo de Antiguidades, localizou em Saqqara uma múmia revestida de ouro preservada em um caixão de calcário. O artefato foi encontrado lacrado ao fundo de um poço de 15 metros, cuja entrada permanecia vedada por argamassa antiga, evidenciando que o túmulo não havia sido violado desde o período do Antigo Reino do Egito.
A descoberta é considerada rara devido ao estado de conservação do ouro, material que geralmente era removido por saqueadores. A técnica utilizada consistiu na aplicação de folhas finas de ouro fixadas às bandagens por meio de resina vegetal, procedimento destinado a indivíduos de alto status. Na cosmologia do Antigo Reino, o metal representava a "carne dos deuses" e tinha a função de proteger o corpo durante a transição para a vida após a morte.
O sítio arqueológico revelou ainda três tumbas adjacentes datadas entre as dinastias V e VI (2500 a 2100 a.C.). Os sepultamentos pertenciam a Khnumdjedef, sacerdote do culto do faraó Unas — último monarca da V dinastia —, e a Fetek, que exercia as funções de juiz e escriba, cargos de confiança da casa real. Uma terceira tumba, com inscrições parcialmente apagadas, indica a presença de um homem cujo nome foi provisoriamente identificado como Messi e segue sob análise.
As evidências encontradas ampliam a compreensão sobre a elite jurídica e religiosa da época. As inscrições detalham oferendas de óleo, cerveja e pão aos deuses Anúbis e Osíris, além de apresentarem listas de cargos palacianos que fornecem dados sobre a administração do Antigo Reino. O achado também permite a datação precisa de rituais funerários, demonstrando que elementos posteriormente atribuídos ao reinado de Tutancâmon, na XVIII dinastia, já eram utilizados séculos antes.
Localizada a 30 quilômetros ao sul do Cairo, a necrópole de Saqqara abriga a Pirâmide Escalonada de Djoser e centenas de tumbas ainda não catalogadas. Este conjunto específico de sepulturas pode revelar a rede de funcionários e o culto associado ao faraó Unas.
Para a continuidade dos estudos, a equipe utilizará tomografia computadorizada para examinar o corpo sem desmanchar a múmia, além de fotografia multiespectral para recuperar pigmentos de hieróglifos desgastados pela umidade. O caixão será devolvido à câmara com a instalação de um sistema de controle de umidade para a preservação do ouro e da resina. Os resultados da expedição serão publicados em revistas científicas durante o ano de 2026.
O contexto de descobertas no Egito é amplo: nos últimos 18 meses, houve mais de dez achados relevantes em Giza, Luxor e Saqqara. Em novembro de 2025, o governo inaugurou o Grande Museu Egípcio em Gizé, complexo de 50 hectares e custo de US$ 1,2 bilhão, que abriga 100 mil artefatos, incluindo 5.398 peças da coleção de Tutancâmon. O impacto econômico do turismo arqueológico em 2025 atingiu US$ 14,2 bilhões em receita, com 15,7 milhões de visitantes, conforme dados do Banco Central do Egito.
Ainda este ano, Zahi Hawass prevê anunciar novas revelações sobre a Grande Pirâmide, embora seu estilo de divulgação seja alvo de críticas por parte de outros arqueólogos.