Ciência

Arqueólogos identificam pela primeira vez o nome de um astrônomo-matemático da civilização maia na Guatemala

15 de Julho de 2026 às 06:11

Arqueólogos identificaram Sak Tahn Waax, astrônomo-matemático da civilização maia, no sítio de Xultun, na Guatemala. O especialista elaborou cálculos sobre os ciclos de Vênus e Marte por volta do ano 781 d.C. A descoberta foi publicada na revista *Antiquity

Arqueólogos identificam pela primeira vez o nome de um astrônomo-matemático da civilização maia na Guatemala
G. Ware

Arqueólogos identificaram, pela primeira vez, o nome de um astrônomo-matemático da civilização maia. A descoberta ocorreu no sítio arqueológico de Xultun, na Guatemala, em uma pequena sala retangular denominada estrutura 10K-2. O indivíduo, identificado como Sak Tahn Waax (nome traduzido como "Raposa de Peito Branco"), viveu há mais de mil anos e era o responsável por cálculos sobre os movimentos planetários.

A revelação foi detalhada em estudo publicado nesta terça-feira (14) na revista Antiquity. A identificação foi possível após a decifração de uma sequência de 11 glifos, onde os dois últimos foram fundamentais: o penúltimo traz a expressão “che-he-na” ("assim diz..." ou "é dito por..."), seguida pelo nome do especialista. Essa assinatura indica que Sak Tahn Waax escreveu, supervisionou ou reivindicou a autoria das fórmulas presentes no local.

Cálculos astronômicos e a função da sala

A análise do texto revelou equações matemáticas focadas nos ciclos de Vênus e Marte. Especificamente, os cálculos buscavam determinar um período de 2.920 dias, o que equivale a cinco ciclos completos de Vênus. Com base nas datas registradas, estima-se que a fórmula tenha sido elaborada no ano 781 d.C.

Diferente de outras inscrições maias, este registro é composto quase inteiramente por números e operações matemáticas, sem a presença de verbos, substantivos ou narrativas históricas. Heather Hurst, diretora do Projeto San Bartolo-Xultun e coautora do estudo, destaca que o conteúdo é pura matemática.

A estrutura 10K-2, conhecida desde 2012 por suas pinturas murais e textos matemáticos, teria servido como um espaço de trabalho para especialistas. As anotações nas paredes podem ter sido etapas preparatórias para informações que seriam posteriormente transferidas para os códices, livros feitos de casca de árvore.

Impacto para a história da ciência

Até então, embora o conhecimento sofisticado dos maias em astronomia e matemática fosse reconhecido, os autores desses trabalhos permaneciam anônimos. David Stuart, epigrafista da Universidade do Texas e coautor da pesquisa, afirma que a associação de um nome a esses registros torna a ciência maia mais humana.

A descoberta insere Sak Tahn Waax no rol de cientistas históricos cujos nomes foram preservados, permitindo que a ciência maia seja vista como parte integrante da história do conhecimento humano, comparável a outros estudiosos da antiguidade, como Ptolomeu.

Notícias Relacionadas