Ciência

Arqueólogos identificam vestígios de comunidade rural do século 3 no leste da Alemanha

29 de Maio de 2026 às 09:23

Arqueólogos identificaram em Liebersee, na Alemanha, vestígios de uma comunidade rural ocupada entre os séculos 3 e 5 d.C. A escavação em 3.200 metros quadrados revelou casas de madeira, edifícios de fosso e artefatos de produção têxtil e cerâmica. Evidências de incêndio foram encontradas no local, que passará por análises de radiocarbono

Arqueólogos identificam vestígios de comunidade rural do século 3 no leste da Alemanha
Arqueólogos acham vila de 1.700 anos em área de pedreira na Alemanha, com casas, oficina de tecido, ferramentas e grãos queimados. (Imagem: Ilustrativa)

Arqueólogos do Escritório Estadual de Arqueologia da Saxônia identificaram os vestígios de uma comunidade rural em Liebersee, localidade vinculada a Belgern-Schildau, no leste da Alemanha. O assentamento, ocupado entre os séculos 3 e 5 d.C., foi documentado durante uma escavação preventiva realizada entre dezembro de 2025 e abril de 2026, abrangendo 3.200 metros quadrados de terreno. A intervenção ocorreu para evitar a destruição permanente de estruturas subterrâneas diante do avanço de uma frente de extração de areia e cascalho, considerando que a região já possuía registros de achados antigos.

Situado na margem esquerda do vale saxão do rio Elba, entre Riesa e Torgau, o sítio reflete a preferência de ocupações antigas por solos férteis e proximidade com cursos d'água. Os achados datam do fim do Período Imperial Romano e do início do Período das Migrações, revelando a organização de um grupo voltado à subsistência, com atividades de agricultura, criação de animais e produção artesanal.

A estrutura do assentamento era composta por ao menos quatro casas longas de madeira, com dimensões de até 20 metros de comprimento por 5 metros de largura, que serviam simultaneamente como residência e abrigo para animais. Complementando a moradia, foram localizados três edifícios menores, conhecidos como casas de fosso, com áreas entre 7 e 12 metros quadrados, utilizados como depósitos, espaços de trabalho ou apoio doméstico.

A produção têxtil foi um dos destaques do sítio. Em uma das casas de fosso, a equipe encontrou um fuso de argila, usado para transformar lã de ovelha em fio, e 30 pesos de tear de argila, com formato arredondado e achatado, essenciais para tensionar os fios em teares verticais. Além disso, a presença de grãos carbonizados indica o armazenamento de cereais para consumo e plantio.

O material recuperado inclui fragmentos de cerâmica cotidiana e resíduos de argila queimada, associados ao revestimento de paredes de madeira. Um item singular foi uma conta de vidro escuro e opaco com linhas onduladas claras. Embora peças semelhantes sejam comumente encontradas em sepultamentos femininos dos séculos 4 e 5 d.C., este objeto foi localizado em uma fossa do assentamento, sugerindo que pode ter sido reutilizado, possivelmente como peso de fuso.

Evidências de argila endurecida pelo calor e grãos queimados apontam que a vila sofreu um incêndio de grandes proporções. Ainda não se determinou se o evento causou o abandono do local ou se houve reconstruções posteriores. Para solucionar essa questão e refinar a cronologia da ocupação, serão realizadas análises de radiocarbono em amostras de carvão e restos vegetais.

O estudo do sítio de Liebersee oferece dados sobre a vida rural e a organização do trabalho doméstico em um período de transição política e social na Europa, registrando a dinâmica de grupos que priorizavam a produção de alimentos e fibras em vez de construções monumentais.

Notícias Relacionadas