Ciência

Árvore rara do México corre risco de extinção devido ao desmatamento e exploração comercial

26 de Maio de 2026 às 18:11

A árvore Peltogyne mexicana, endêmica do estado de Guerrero, no México, está classificada como em perigo de extinção devido ao desmatamento, incêndios e expansão urbana. A espécie, explorada comercialmente para móveis e artesanato, possui populações reduzidas a menos de cinco localidades. Recentemente, o furacão Otis destruiu centenas de mudas e exemplares centenários da planta

Árvore rara do México corre risco de extinção devido ao desmatamento e exploração comercial
Foto: Iván Castaneira

A árvore *Peltogyne mexicana*, conhecida localmente como "palo morado", enfrenta um risco severo de extinção em seu único habitat no mundo: o estado de Guerrero, no México. A espécie, caracterizada por uma madeira de tonalidades violetas intensas e alta densidade, é ameaçada pelo desmatamento excessivo, incêndios florestais e a expansão urbana, especialmente nas encostas próximas à Baía de Santa Lucía.

Atualmente, as populações selvagens da espécie estão reduzidas a menos de cinco localidades, concentradas em bacias hidrográficas como as do Omitlán e do Papagayo. A exploração comercial para a produção de baquetas musicais, artesanato de luxo e móveis finos foi o principal motor dessa redução populacional.

Do ponto de vista biogeográfico, a *Peltogyne mexicana* é considerada uma anomalia. Enquanto a maioria das 23 a 25 espécies do gênero habita florestas úmidas da América Central e do Sul — como em países como Colômbia, Brasil e Venezuela —, a variante mexicana adaptou-se a um ecossistema mais seco e ao norte do continente. Pesquisadores da Universidade Autónoma de Guerrero destacam que a espécie apresenta extrema raridade biológica, com grupos de indivíduos altamente isolados.

A identificação formal da árvore levou 163 anos. Embora o botânico Luis Née tenha documentado a espécie em 1797, em Acapulco, durante a Expedição Malaspina, a descrição científica oficial só ocorreu em 1960, através do professor Maximino Martínez nos Anais do Instituto de Biologia da UNAM. O holotipo da espécie permanece preservado no Herbario Nacional.

Essa vulnerabilidade levou a União Internacional para a Conservação da Natureza a classificar a árvore como "em perigo de extinção" em sua lista vermelha. No entanto, a Norma Oficial Mexicana NOM-059-SEMARNAT a cataloga apenas como "ameaçada". Cientistas da Universidade Michoacana de San Nicolás de Hidalgo argumentam que essa classificação está desatualizada e exigem a revisão do status legal da espécie.

Eventos climáticos recentes agravaram a situação. O furacão Otis causou a destruição de mais de 400 mudas em cultivo e derrubou árvores centenárias no Parque Nacional El Veladero e no Jardim Botânico de Acapulco. A perda da espécie também representaria um prejuízo para a ciência médica, já que a Faculdade de Ciências Químico-Biológicas aponta que a planta possui compostos bioquímicos com potencial para o desenvolvimento de novos tratamentos de doenças humanas.

A conservação da espécie agora depende fortemente de iniciativas comunitárias nos municípios de Acapulco de Juárez, Chilpancingo de los Bravo e Juan R. Escudero. Moradores locais, ao perceberem que a ausência da árvore prejudicava a captação de água e a recarga de aquíferos, proibiram a derrubada da planta em territórios coletivos. Monitoramentos indicam que essa medida não apenas protegeu o "palo morado", mas elevou a diversidade arbórea da região.

A reprodução da planta impõe desafios adicionais. Pertencente à família das leguminosas, a árvore produz flores brancas que duram dez dias e sementes pesadas que não são transportadas pelo vento ou aves. Embora a germinação supere 90%, a mortalidade de plântulas na natureza é alta. Para mitigar isso, engenheiros florestais propõem programas de pagamento por serviços ambientais para a transferência de mudas para viveiros.

Apesar das ameaças, a espécie demonstra resiliência. Exemplares centenários conseguem florescer e produzir sementes mesmo quando o tronco é totalmente apodrecido pelo fungo *Phellinus* ou mutilado por extrações ilegais, mantendo a capacidade de regeneração entre as rochas calcárias do sudeste mexicano.

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