Assistir a competições esportivas está associado ao aumento do bem-estar psicológico e redução de depressão
Estudo da Anglia Ruskin University com 7.209 adultos ingleses indica que assistir a esportes reduz sintomas depressivos e eleva o bem-estar psicológico. A pesquisa associa esses efeitos ao senso de pertencimento e à ativação de áreas cerebrais de recompensa. Os autores ressaltam que os dados são correlacionais
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2Feea%2F8dc%2F4d5%2Feea8dc4d5594c1e65961618ceb1429dd.jpg)
Acompanhar competições esportivas por meio da televisão ou da internet está associado a um aumento no bem-estar psicológico e a uma redução de sintomas depressivos. A observação, detalhada em artigo na The Conversation pelas psicólogas Rachel K. Ownsworth, Annelie Harvey e Helen Keyes, indica que a frequência do consumo de esportes intensifica esses efeitos positivos na saúde mental.
Essa conclusão fundamenta-se em um estudo da Anglia Ruskin University, publicado na revista Nature, que analisou a "Taking Part Survey" — pesquisa do governo britânico com 7.209 adultos, entre 16 e 85 anos, residentes na Inglaterra. Os dados revelam que a participação em eventos esportivos promove maior satisfação com a vida, sensação de propósito e diminuição da solidão.
O fenômeno é explicado pela teoria da identidade social, na qual a construção de comunidades em torno de atletas, times ou seleções oferece apoio emocional. O senso de pertencimento e a conexão social são reforçados quando o torcedor compartilha emoções e conversas com amigos, familiares ou outros entusiastas, transformando a experiência televisiva em um mecanismo de interação social.
Evidências da neurociência complementam a análise. Um estudo japonês, baseado em imagens cerebrais, identificou que áreas do cérebro ligadas à recompensa psicológica apresentam maior ativação durante a transmissão de esportes populares, como o beisebol, em comparação a modalidades com menor apelo massivo, como o golfe. Esse processo justifica a intensidade emocional de eventos globais, como a Copa do Mundo, onde a euforia da vitória é compartilhada coletivamente.
Apesar dos indicadores, os autores ressaltam que os dados são correlacionais. Portanto, não se estabelece uma relação de causa e efeito absoluta, uma vez que a saúde mental também é influenciada por hábitos cotidianos, situação econômica e a rede social individual de cada pessoa.