Asteroide 2026 JH2 passará a 90 mil quilômetros da Terra na próxima segunda-feira
O asteroide 2026 JH2 passará a 90 mil quilômetros da Terra na segunda-feira, dia 18. O objeto tem dimensões semelhantes às de uma quadra de basquete e não apresenta risco de colisão
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O asteroide 2026 JH2, identificado por astrônomos em 10 de maio de 2026, passará a 90 mil quilômetros da Terra na próxima segunda-feira (18). O objeto, que possui dimensões comparáveis às de uma quadra de basquete, gera atenção devido à proximidade da passagem, embora a trajetória não represente risco de colisão.
A situação remete a episódios anteriores, como o do asteroide 2024 ON. Na ocasião, a mídia propagou alertas sobre a periculosidade do corpo celeste, que tinha 370 metros de diâmetro e viajava a 40 mil quilômetros por hora, mas os cálculos astronômicos confirmaram que ele passaria a um milhão de quilômetros do planeta, distância superior ao dobro do trajeto até a Lua. Juan Luis Cano, do Escritório de Defesa Planetária da Agência Espacial Europeia, atribui esse tipo de sensacionalismo ao uso de técnicas de redação para atrair audiência.
A Terra é atingida diariamente por cerca de 100 toneladas de material espacial, porém essa massa é composta por rochas minúsculas e não por blocos únicos. Os Objetos Próximos à Terra (NEOs) são definidos pelo Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior como asteroides ou cometas com periélio — a distância orbital mais próxima do Sol — inferior a 195 milhões de quilômetros. Como a Terra orbita o Sol a aproximadamente 150 milhões de quilômetros, esses objetos situam-se na vizinhança solar.
Atualmente, a ciência monitora cerca de 34 mil NEOs, e nenhum dos maiores está em rota de colisão com o planeta. Enquanto fragmentos pequenos são recorrentes, asteroides como o 2024 ON surgem a cada 10 mil anos. Já corpos com mais de um quilômetro de diâmetro, a exemplo do Chicxulub, que causou a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos, podem atingir a Terra em intervalos de 260 milhões de anos. Apesar disso, rochas de 40 metros de largura podem destruir cidades inteiras dependendo do ângulo e da velocidade de entrada na atmosfera, e centenas de milhares desses objetos menores ainda não foram catalogados.
Para ampliar a detecção, que ocorre a uma taxa de 3 mil asteroides por ano, novos sistemas estão sendo implementados. O telescópio Neowise, que documentou mais de 158 mil NEOs, foi aposentado em 2024. Em seu lugar, a missão Near-Earth Object Surveyor deve iniciar operações em 2027 para localizar asteroides potencialmente perigosos (PHAs) em um raio de 50 milhões de quilômetros da órbita terrestre. Complementarmente, o Observatório Vera Rubin, no Chile, criará um mapa do universo em time lapse, e a Agência Espacial Europeia desenvolve quatro telescópios "Flyeye" de campo amplo.
O sistema de defesa planetária, baseado no rastreamento e em observações repetidas para traçar trajetórias precisas, garante que nenhum asteroide conhecido atingirá a Terra ao menos até o próximo século. O caso do Apophis ilustra essa precisão: identificado em 2004 com 340 metros de largura, foi inicialmente visto como uma ameaça para 2029, 2036 ou 2068, mas cálculos posteriores confirmaram que ele passará a 30 mil quilômetros do planeta ao fim desta década.
Caso um objeto seja detectado em rota de colisão, a deflexão é uma possibilidade técnica. Em 2022, a missão DART da NASA colidiu uma espaçonave contra o asteroide Dimorphos, provando que é possível alterar a direção de um corpo celeste. Para inspecionar os resultados desse impacto, a Agência Espacial Europeia planeja lançar a missão de reconhecimento Hera ainda este mês.