Ciência

Astrônomos criam o mapeamento mais detalhado da teia cósmica com dados do telescópio James Webb

15 de Maio de 2026 às 06:12

Astrônomos de dez países mapearam a teia cósmica com dados do Telescópio James Webb, catalogando 164 mil galáxias. O estudo, publicado no The Astrophysical Journal, rastreou a distribuição galáctica até quando o universo tinha 1 bilhão de anos

Astrônomos criam o mapeamento mais detalhado da teia cósmica com dados do telescópio James Webb
Hossein Hatamnia/UC Riverside

Um grupo internacional de astrônomos desenvolveu o mapeamento mais detalhado da teia cósmica, a estrutura fundamental que organiza a matéria no Universo. O estudo, publicado no periódico *The Astrophysical Journal*, catalogou 164 mil galáxias e rastreou a rede de distribuição galáctica até o período em que o cosmos possuía 1 bilhão de anos de idade.

A teia cósmica consiste em uma arquitetura de larga escala onde as galáxias não se distribuem de forma uniforme, mas se organizam em filamentos e folhas compostos por matéria escura e gás. Entre essas formações, existem vastos vazios, resultando em uma configuração semelhante a uma esponja, na qual as paredes concentram as galáxias e os poros representam as regiões desertas. Essa rede interliga aglomerados e galáxias ao longo de bilhões de anos-luz.

A precisão do novo mapa foi possível graças aos dados do programa COSMOS-Web, o maior levantamento realizado pelo Telescópio Espacial James Webb. O projeto analisou uma área do céu correspondente ao tamanho de três luas cheias. Diferente de mapeamentos anteriores feitos pelo Telescópio Hubble, o James Webb utiliza a luz infravermelha para atravessar a poeira cósmica, permitindo a detecção de galáxias tênues e distantes que permaneciam invisíveis.

Hossein Hatamnia, pesquisador da Universidade da Califórnia em Riverside (UCR) e autor principal do trabalho, destaca que a capacidade do telescópio de detectar galáxias mais sutis e medir suas distâncias com maior exatidão permitiu posicionar cada objeto na fatia correta do tempo cósmico. Esse avanço revelou que estruturas anteriormente interpretadas como únicas são, na verdade, conjuntos de diversas formações menores, eliminando borrões de imagens antigas.

Como a luz de galáxias remotas leva bilhões de anos para atingir a Terra, a observação funciona como um registro do passado. Isso possibilita que os cientistas acompanhem a evolução e a transformação da teia cósmica ao longo de quase 14 bilhões de anos.

A pesquisa foi liderada pela UCR, com a colaboração de especialistas de outros nove países, incluindo Alemanha, França, Japão, Chile e Dinamarca. Devido à natureza tridimensional do mapa e à sua abrangência temporal, a estrutura completa não pode ser representada em uma única imagem, mas o levantamento integral de 164 mil galáxias foi disponibilizado gratuitamente em um repositório online.

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