Ciência

Astrônomos detectam atmosfera em objeto pequeno localizado no Cinturão de Kuiper

05 de Maio de 2026 às 12:25

Astrônomos detectaram uma atmosfera tênue no objeto transnetuniano (612533) 2002 XV93, no Cinturão de Kuiper, por meio de ocultação estelar. O corpo celeste possui cerca de 500 quilômetros de diâmetro e pressão superficial entre 100 e 200 nanobares. A descoberta foi detalhada na revista Nature Astronomy

Astrônomos detectaram a presença de uma atmosfera tênue ao redor do objeto transnetuniano (612533) 2002 XV93, localizado no Cinturão de Kuiper, região além da órbita de Netuno que preserva materiais da formação do Sistema Solar. A descoberta, detalhada na revista *Nature Astronomy*, é surpreendente devido ao tamanho do corpo celeste — cerca de 500 quilômetros de diâmetro —, dimensão considerada insuficiente para que a gravidade retenha gases por longos períodos.

A identificação ocorreu por meio de uma técnica de ocultação estelar, na qual se monitora a variação da luz de uma estrela distante enquanto o objeto passa à frente dela. Telescópios situados no Japão registraram uma redução gradual da luminosidade, indicando que a luz atravessou uma camada gasosa antes de ser bloqueada pelo corpo sólido. Caso o objeto fosse desprovido de atmosfera, o desaparecimento da estrela teria sido abrupto. A campanha de observação foi liderada por Ko Arimatsu, do Observatório Astronômico Nacional do Japão.

A pressão superficial estimada para essa atmosfera situa-se entre 100 e 200 nanobares. Embora seja milhões de vezes mais fina que a da Terra e consideravelmente menos densa que a de Plutão — até então o principal exemplo de objeto transnetuniano com atmosfera —, a detecção revela que corpos pequenos e gelados podem apresentar processos físicos mais complexos do que o previsto. Anteriormente, a expectativa era de que objetos como Éris, Haumea, Makemake e Quaoar fossem inertes, dada a baixa gravidade e a escassez de energia solar na região.

A origem dessa camada gasosa permanece sob investigação. Uma das hipóteses é a atividade criovulcânica, na qual gases do interior do corpo seriam liberados para a superfície. Outra possibilidade é que a atmosfera seja temporária, resultado de uma colisão recente com um cometa ou outro corpo gelado. Cálculos indicam que, sem um reabastecimento constante, essa camada não duraria mais de 1.000 anos. O mistério é acentuado pelo fato de o Telescópio Espacial James Webb não ter detectado gases congelados na superfície que pudessem sublimar e alimentar a atmosfera.

Embora a composição exata ainda precise de confirmação, especula-se que a atmosfera seja formada por monóxido de carbono, nitrogênio ou metano. O monitoramento do (612533) 2002 XV93 nos próximos anos será fundamental para definir a natureza do fenômeno: a persistência ou variação sazonal da camada indicaria liberação interna, enquanto um enfraquecimento gradual reforçaria a tese de um impacto externo.

O achado demonstra que objetos pequenos no Sistema Solar externo podem não ser totalmente inertes, expandindo a compreensão sobre a evolução de mundos gelados. Além disso, o estudo reitera a eficácia de telescópios terrestres em capturar eventos raros de alinhamento, revelando detalhes que imagens convencionais não conseguem registrar.

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