Ciência

Astrônomos detectam raios gama em supernova superluminosa pela primeira vez na história

25 de Maio de 2026 às 06:22

Cientistas detectaram raios gama na supernova superluminosa SN 2017egm, na galáxia NGC 3191, utilizando dados do telescópio Fermi. O estudo, publicado na Astronomy & Astrophysics, indica que a luminosidade extrema do evento foi alimentada por um magnetar

Astrônomos detectam raios gama em supernova superluminosa pela primeira vez na história
ALFSOC/Bose et al.

A detecção de raios gama provenientes da supernova SN 2017egm, localizada na galáxia NGC 3191, a aproximadamente 440 milhões de anos-luz na constelação de Ursa Maior, marca um avanço na compreensão de explosões estelares excepcionais. O achado, detalhado em estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics, reinterpreta sinais captados em 2017 pelo Large Area Telescope (LAT), instrumento do telescópio espacial Fermi da NASA.

A SN 2017egm classifica-se como uma supernova superluminosa, fenômeno capaz de emitir luz visível dez vezes superior a uma explosão causada pelo colapso de um núcleo estelar comum. A confirmação definitiva de raios gama associados a esse evento é inédita, apesar de astrônomos buscarem sinais semelhantes em milhares de supernovas nos dados do Fermi ao longo de quase duas décadas.

A pesquisa contou com a colaboração do Instituto de Ciências do Espaço (ICE-CSIC), em Barcelona. Para chegar ao resultado, a equipe analisou as seis supernovas superluminosas mais próximas registradas nos primeiros 16 anos da missão Fermi, mas apenas a SN 2017egm apresentou evidências compatíveis com a emissão de raios gama. De acordo com o pesquisador Guillem Martí-Devesa, a descoberta comprova que certas supernovas podem possuir a mesma luminosidade em raios gama que em luz visível.

A análise dos dados, conduzida por Fabio Acero, da Universidade de Paris-Saclay, e sua equipe, comparou as observações ópticas e de raios gama com modelos teóricos. A evidência mais consistente indica que a luminosidade extrema da explosão foi alimentada por um magnetar — uma estrela de nêutrons com campo magnético até 1.000 vezes mais intenso que o de uma estrela de nêutrons típica.

O modelo do magnetar recém-formado justifica tanto o brilho inicial quanto o intervalo de tempo necessário para que os raios gama escapassem dos remanescentes da supernova, o que ocorreu cerca de três meses após o colapso da estrela.

Com informações de El Confidencial

Notícias Relacionadas