Astrônomos identificam quatro estrelas anãs brancas camufladas por anãs vermelhas próximas à Terra
Astrônomos do Reino Unido e dos Estados Unidos identificaram quatro estrelas anãs brancas a menos de 65 anos-luz da Terra. Os astros orbitam anãs vermelhas e foram detectados via técnica de oscilação radial e pelo Telescópio Espacial Hubble
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Astrônomos da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, identificaram a presença direta de quatro estrelas anãs brancas localizadas a menos de 65 anos-luz da Terra. O estudo, publicado nesta terça-feira (14) na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, revela que esses corpos celestes estavam camuflados por orbitarem, em sistemas binários, estrelas anãs vermelhas.
As anãs vermelhas, embora sejam as estrelas mais numerosas do universo, possuem brilho fraco e temperatura baixa. No entanto, por serem maiores e mais brilhantes que as anãs brancas, elas ofuscavam a luz de suas companheiras, impedindo a detecção por meio de telescópios que operam apenas no espectro da luz visível.
Metodologia de detecção e tecnologia ultravioleta
Para localizar esses objetos, a equipe utilizou a técnica de oscilação radial, que identifica o movimento de "vaivém" de uma estrela visível provocado pela atração gravitacional de um corpo massivo invisível ao seu redor.
A confirmação final da existência das anãs brancas — núcleos densos de estrelas que esgotaram seu combustível nuclear e expeliram suas camadas externas, possuindo massa similar à do Sol, mas tamanho próximo ao da Terra — foi possível graças ao espectrógrafo ultravioleta do Telescópio Espacial Hubble. A luz ultravioleta permite visualizar informações fora do espectro visível, onde as anãs brancas se destacam.
Para evitar erros de leitura, os pesquisadores desenvolveram calibrações específicas. Essa medida foi necessária porque as anãs vermelhas emitem erupções frequentes que podem ser confundidas com o sinal luminoso de uma anã branca.
O sistema G 203-47 e a evolução estelar
Dentre as descobertas, o sistema G 203-47, situado a 25 anos-luz do Sol, apresentou a maior complexidade. A anã branca que o compõe foi identificada após 27 anos de observações, tornando-se a nona mais próxima do nosso sistema solar.
Um detalhe incomum nesse sistema é a rotação da anã vermelha: ela leva 100 dias ou mais para completar um giro sobre seu próprio eixo, enquanto orbita a anã branca em apenas 14,9 dias. Normalmente, a proximidade entre dois astros gera o travamento de maré, sincronizando seus movimentos, como ocorre entre a Terra e a Lua.
A lentidão da rotação em G 203-47 indica que este sistema binário teve uma evolução distinta de outros semelhantes, sugerindo que ele passou por encontros orbitais mais breves e suaves, em vez de interações violentas e prolongadas.
Mapeamento da vizinhança cósmica
A identificação desses quatro sistemas valida modelos teóricos que previam a existência de quatro a cinco pares de anãs brancas e vermelhas em um raio de 20 parsecs (65 anos-luz) ao redor do Sol.
Apesar da precisão dos modelos, o levantamento da região ainda é parcial. Apenas 30% das anãs vermelhas nessa distância foram analisadas sistematicamente. Por isso, estima-se que ainda existam entre nove e dez sistemas binários ocultos na vizinhança estelar local que podem ser revelados com novos esforços de observação.