Ciência

Astrônomos registram a primeira medição da deformação de um exoplaneta com formato alongado

28 de Abril de 2026 às 10:29

Pesquisadores registraram a forma alongada do exoplaneta WASP-103b, resultante da gravidade de sua estrela. Situado a 1.225 anos-luz da Terra, o gigante gasoso completa a órbita em menos de 24 horas. A revista Astronomy & Astrophysics publicou a análise

Cientistas mediram, pela primeira vez, a deformação estrutural de um exoplaneta fora do Sistema Solar. O corpo celeste, chamado WASP-103b, apresenta um formato alongado, semelhante a uma bola de rúgbi ou de futebol americano, em vez da forma esférica comum à maioria dos planetas. A descoberta foi detalhada em estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics em 2022, após o planeta ter sido inicialmente descoberto em 2014.

Localizado a aproximadamente 1.225 anos-luz da Terra, o WASP-103b é classificado como um "Júpiter quente ultracurto". Essa categoria engloba gigantes gasosos que orbitam estrelas em distâncias extremamente reduzidas. No caso deste exoplaneta, a proximidade com sua estrela é 50 vezes menor do que a distância entre a Terra e o Sol, resultando em um ciclo orbital completo em menos de 24 horas.

A distorção do planeta é causada pelas forças de maré, resultantes da intensa gravidade da estrela hospedeira. Enquanto na Terra esse fenômeno influencia sutilmente as marés oceânicas via Lua, no WASP-103b o efeito é drástico e altera a própria geometria do corpo celeste. A estrela em questão é cerca de 200 graus mais quente e 1,7 vezes maior que o Sol, o que, somado à proximidade, gera temperaturas elevadas que mantêm o planeta inflado e predominantemente gasoso.

A confirmação do formato alongado foi obtida por meio do método de trânsito, utilizando dados combinados de três telescópios espaciais. Os instrumentos analisaram as variações de luminosidade da estrela no momento em que o planeta passava à sua frente, permitindo a reconstrução precisa de sua forma. Para Babatunde Akinsanmi, coautor da pesquisa, a medição da deformação após a observação de múltiplos trânsitos representa um marco científico.

A análise da estrutura do WASP-103b permite inferir detalhes sobre sua composição interna e como a atmosfera se expande sob condições extremas. Yann Alibert pontuou que, embora a existência de marés intensas fosse prevista, a confirmação técnica era inédita. Monika Lendl destacou que esses dados permitem comparar gigantes gasosos extremos com os do Sistema Solar, ampliando a compreensão sobre diferenças estruturais.

Apesar do avanço, o exoplaneta apresenta um comportamento atípico: ao contrário de outros corpos massivos em órbitas curtas que tendem a ser engolidos por suas estrelas, as medições sugerem que o WASP-103b pode estar se afastando de seu centro orbital. Embora existam outros casos de deformação, como o do exoplaneta WASP-121b, a precisão dos dados obtidos no WASP-103b é considerada um avanço significativo para a astrofísica.

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