Atividade solar acelera a queda de detritos espaciais em órbita baixa da Terra
Estudo publicado na revista Frontiers in Astronomy and Space Sciences indica que a atividade solar acelera a queda de detritos na órbita baixa da Terra. A pesquisa analisou 17 objetos espaciais durante 36 anos e identificou que o aquecimento da termosfera aumenta a resistência atmosférica. O fenômeno ocorre abruptamente quando a atividade do Sol atinge dois terços de seu pico
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A intensificação da atividade solar acelera significativamente a perda de altitude de detritos em órbita baixa da Terra. A descoberta, detalhada em estudo publicado nesta terça-feira (5) na revista *Frontiers in Astronomy and Space Sciences*, revela a existência de um "limiar de transição": quando a atividade do Sol atinge cerca de dois terços de seu pico, a taxa de queda desses objetos aumenta abruptamente.
O fenômeno ocorre devido à interação entre a radiação solar e a termosfera, camada atmosférica situada entre 100 e 1.000 km de altitude. Nos períodos de maior atividade do ciclo solar, que dura aproximadamente 11 anos, há um aumento na emissão de partículas carregadas e radiação ultravioleta extrema (EUV). Esse processo aquece e expande a termosfera, elevando sua densidade e gerando maior resistência atmosférica, o chamado arrasto, para objetos que orbitam entre 160 e 2.000 km. Essa força reduz a velocidade orbital dos detritos, precipitando sua descida.
Para chegar a essa conclusão, a pesquisa analisou a trajetória de 17 objetos de lixo espacial ao longo de 36 anos. A autora principal do estudo, Ayisha M. Ashruf, destaca que fragmentos lançados ainda na década de 1960 serviram como indicadores naturais para observar os efeitos de longo prazo da atividade solar na atmosfera superior.
A compreensão desse mecanismo é crucial para a segurança da órbita terrestre baixa, região congestionada por satélites de vigilância, observação e constelações de internet. O acúmulo de detritos, que inclui desde estágios de foguetes a fragmentos de colisões, amplia o risco do efeito Kessler, onde impactos sucessivos geram novos resíduos e elevam o perigo para missões futuras.
Na prática, os dados permitem otimizar a operação de satélites ativos. Como esses equipamentos realizam manobras para manter a órbita, a identificação de períodos de arrasto intenso auxilia no planejamento do consumo de combustível e na execução de correções orbitais. Além disso, a detecção de um padrão consistente entre diferentes ciclos solares oferece uma ferramenta preditiva para a escolha de janelas de lançamento e a prevenção de colisões.