Austrália explora rochas superquentes para gerar energia geotérmica profunda e constante
A Austrália planeja implementar a geotermia profunda por meio da extração de calor de rochas superquentes a profundidades entre 5 e 10 km. O recurso utiliza fluidos supercríticos para gerar eletricidade constante, aproveitando a experiência nacional em mineração e perfuração. A viabilidade do projeto depende de incentivos públicos para superar os altos custos e a complexidade técnica
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A Austrália possui um potencial energético estratégico concentrado em rochas superquentes situadas a quilômetros de profundidade, que podem viabilizar a implementação da geotermia profunda. A exploração de apenas 1% desse recurso equivaleria à energia de 3 bilhões de barris de petróleo, transformando o subsolo do país em uma fonte de eletricidade constante e silenciosa.
O sistema baseia-se na extração de calor acumulado por milhões de anos, com temperaturas que superam os 350 °C em certas regiões. Nesse patamar térmico, a água atinge o estado de fluido supercrítico, comportando-se entre o líquido e o gás. Essa característica permite o transporte de uma carga energética superior ao vapor convencional, o que amplia significativamente o rendimento de usinas geotérmicas e torna poços profundos em instalações de alta produtividade.
Diferente de fontes renováveis como a solar e a eólica, que dependem de condições climáticas, a geotermia de rochas superquentes opera ininterruptamente. Essa estabilidade é fundamental para redes elétricas que necessitam de suprimento contínuo sem a utilização de combustíveis fósseis. A viabilidade técnica desses projetos, que preveem perfurações entre 5 e 10 km, é sustentada por sensores resistentes a temperaturas extremas e técnicas de perfuração adaptadas da indústria de petróleo e gás, eliminando a dependência de áreas vulcânicas ou gêiseres.
Para acelerar a implementação, a Austrália conta com pessoal especializado em perfuração, amplo conhecimento geológico e experiência consolidada no setor de mineração. No entanto, o custo elevado e a complexidade técnica de perfurar vários quilômetros representam barreiras iniciais. A necessidade de confirmar a temperatura do recurso e projetar circuitos resistentes à pressão e ao desgaste torna indispensável a criação de incentivos públicos, nos moldes do que ocorreu com as energias solar e eólica.
Superados os desafios de infraestrutura, a energia proveniente desse "sol subterrâneo" poderá abastecer setores industriais de alta demanda e baixas emissões, como a produção de hidrogênio verde, o processamento de minerais críticos, a mineração e a operação de centros de dados para inteligência artificial.