Ciência

Bactéria de organismo da Antártida destrói células de melanoma sem afetar tecidos saudáveis

09 de Junho de 2026 às 12:31

Pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida identificaram uma bactéria em ascídias da Antártida que elimina células de melanoma humano sem afetar tecidos saudáveis. O material foi coletado em profundidades de até 24 metros para estudos de viabilidade de novos fármacos. A equipe agora analisa a composição química e o DNA do microrganismo para possibilitar a reprodução artificial da substância

Bactéria de organismo da Antártida destrói células de melanoma sem afetar tecidos saudáveis
YouTube/Universidad de Florida del Sur

Um organismo marinho encontrado nas profundezas da Antártida abriga uma bactéria capaz de destruir seletivamente células de melanoma humano, sem comprometer os tecidos saudáveis. A descoberta, liderada pelo Laboratório Baker da Universidade do Sul da Flórida, foca em uma espécie de ascídia, popularmente chamada de jarro-do-mar, cujo microrganismo simbiótico sintetiza um composto químico que ataca a forma mais agressiva de câncer de pele.

O processo de identificação das propriedades dessa espécie teve início há duas décadas, sob a condução do professor de química Bill Baker. Atualmente, a equipe trabalha para validar a produção da substância em seu ambiente natural, visando a viabilidade de novos fármacos. Baker destaca que a seletividade do composto é um fator crucial para o tratamento oncológico, ressaltando que a maioria dos medicamentos aprovados pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) tem origem em fontes naturais.

A obtenção dos exemplares biológicos ocorreu durante uma expedição de seis semanas na Península Antártica. Sob a supervisão do pesquisador pós-doutoral Sam Afoullouss e do oficial de segurança de mergulho Ben Meister, as colônias de invertebrados foram localizadas em profundidades entre 18 e 24 metros, em regiões de fortes correntes. Para superar a visibilidade reduzida, a presença de gelo flutuante e de focas-leopardo, os cientistas utilizaram mergulhos autônomos — limitados a 40 metros — e dois veículos de operação remota.

O material coletado segue agora para estudos multidisciplinares, incluindo análises químicas e de DNA, para compreender os mecanismos de simbiose em águas frias e possibilitar a reprodução artificial do composto. O Laboratório Baker já possui histórico de patentes de compostos voltados ao combate de patologias infecciosas resistentes a antibióticos, tumores e malária resistente a medicamentos, o que evidencia o potencial estratégico da biodiversidade dos oceanos polares.

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