Bactéria de organismo da Antártida destrói células de melanoma sem afetar tecidos saudáveis
Pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida identificaram uma bactéria em ascídias da Antártida que elimina células de melanoma humano sem afetar tecidos saudáveis. O material foi coletado em profundidades de até 24 metros para estudos de viabilidade de novos fármacos. A equipe agora analisa a composição química e o DNA do microrganismo para possibilitar a reprodução artificial da substância
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Um organismo marinho encontrado nas profundezas da Antártida abriga uma bactéria capaz de destruir seletivamente células de melanoma humano, sem comprometer os tecidos saudáveis. A descoberta, liderada pelo Laboratório Baker da Universidade do Sul da Flórida, foca em uma espécie de ascídia, popularmente chamada de jarro-do-mar, cujo microrganismo simbiótico sintetiza um composto químico que ataca a forma mais agressiva de câncer de pele.
O processo de identificação das propriedades dessa espécie teve início há duas décadas, sob a condução do professor de química Bill Baker. Atualmente, a equipe trabalha para validar a produção da substância em seu ambiente natural, visando a viabilidade de novos fármacos. Baker destaca que a seletividade do composto é um fator crucial para o tratamento oncológico, ressaltando que a maioria dos medicamentos aprovados pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) tem origem em fontes naturais.
A obtenção dos exemplares biológicos ocorreu durante uma expedição de seis semanas na Península Antártica. Sob a supervisão do pesquisador pós-doutoral Sam Afoullouss e do oficial de segurança de mergulho Ben Meister, as colônias de invertebrados foram localizadas em profundidades entre 18 e 24 metros, em regiões de fortes correntes. Para superar a visibilidade reduzida, a presença de gelo flutuante e de focas-leopardo, os cientistas utilizaram mergulhos autônomos — limitados a 40 metros — e dois veículos de operação remota.
O material coletado segue agora para estudos multidisciplinares, incluindo análises químicas e de DNA, para compreender os mecanismos de simbiose em águas frias e possibilitar a reprodução artificial do composto. O Laboratório Baker já possui histórico de patentes de compostos voltados ao combate de patologias infecciosas resistentes a antibióticos, tumores e malária resistente a medicamentos, o que evidencia o potencial estratégico da biodiversidade dos oceanos polares.