Ciência

Baleias jubarte produzem anéis de bolhas circulares em interações com seres humanos e em oceanos

27 de Maio de 2026 às 12:31

Pesquisadores da Universidade da Califórnia e do SETI Institute documentaram 39 anéis de bolhas produzidos por onze baleias jubarte nos oceanos Atlântico e Pacífico. O estudo, publicado na revista Marine Mammal Science, registrou doze episódios, incluindo casos ocorridos sem a presença de seres humanos

Baleias jubarte produzem anéis de bolhas circulares em interações com seres humanos e em oceanos
Molly Gaughan

Baleias jubarte (*Megaptera novaeangliae*) têm provocado questionamentos sobre a comunicação entre espécies ao produzirem anéis de bolhas perfeitamente circulares em diversas regiões dos oceanos Atlântico e Pacífico. O fenômeno foi analisado por pesquisadores da Universidade da Califórnia e do SETI Institute, que documentaram doze episódios nos quais onze baleias criaram, ao todo, 39 dessas estruturas.

A investigação teve início após a redescoberta de uma gravação de 1988, que mostrava um indivíduo chamado Thorn gerando 19 anéis de bolhas em um intervalo de 10 minutos. A partir desse registro, a equipe buscou outros exemplos em arquivos visuais, registros científicos e redes sociais para identificar a repetição do padrão.

O estudo, publicado na revista *Marine Mammal Science*, observou que, em nove dos doze eventos registrados, os cetáceos se aproximaram de seres humanos antes de emitirem as bolhas. Em alguns casos, os animais realizaram o "spy hop", manobra em que elevam a cabeça verticalmente acima da superfície da água, atravessando o centro dos anéis produzidos. Tais ações sugerem a possibilidade de um gesto social ou de atração visual.

Apesar da frequência de interação humana, a bióloga Susan E. Parks, da Universidade de Syracuse, ressalta que a coleta de mais dados é necessária para conclusões definitivas, apontando que ao menos dois dos registros foram feitos por aeronaves, comprovando que a formação das bolhas ocorre mesmo sem estímulo direto.

Embora parte da comunidade científica considere que o comportamento possa ser apenas lúdico, o biólogo Fred Sharpe compara a ação ao lançamento de símbolos na água através das narinas, como se fosse uma forma de expressão análoga à fala. A coautora da pesquisa, a fotógrafa Jodi Frediani, indica que a identificação desse padrão deve facilitar a detecção de novos casos em observações futuras.

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