Ciência

Bota de Couro Vermelho com 2.300 Anos é Descoberta em Permafrost na Rússia

20 de Março de 2026 às 20:17

Uma bota de couro vermelho, com cerca de 2.300 anos, foi encontrada em uma câmara funerária dos antigos montes Pazyryk na Sibéria russa. A peça apresenta decorações complexas e ornamentações que podem ter significado além da estética. A bota está agora exibida no Museu Estatal do Hermitage, oferecendo uma visão sobre as habilidades artesanais da cultura Saka

Bota de Couro Vermelho com 2.300 Anos é Descoberta em Permafrost na Rússia
EFE/Centro Medioambiental Nansen/Sebastian Mernild

Na região de Altai, na Sibéria russa, um achado arqueológico inédito foi revelado após o degelo do permafrost. Uma bota de couro vermelho, com mais de 2.300 anos, foi encontrada em uma das câmaras funerárias dos antigos montes Pazyryk.

Essa descoberta não apenas desafia a compreensão da preservação de materiais orgânicos no tempo como também abre novos caminhos para o estudo da cultura Saka, um povo nômade que habitava as vastas estepes euroasiáticas há séculos.

A bota é notável por seu design elaborado e rica ornamentação. Ela apresenta contas pretas, cristais de pirita, lâminas metálicas e elementos de vidro dispostos em padrões geométricos complexos. O que chama a atenção não apenas são as decorações como também a presença de uma ornamentação na sola do calçado.

Pesquisadores sugerem que essa peculiaridade poderia ter um significado além da estética, possivelmente relacionada à hierarquia social ou crenças rituais. Alguns defendem que a bota pertenceu a alguém de alto status social, enquanto outros propõem sua fabricação exclusivamente para cerimônias funerárias.

O excelente estado de conservação da peça, junto com o escasso sinal de desgaste, reforçam essa segunda hipótese. A bota agora está em exibição no Museu Estatal do Hermitage e continua sendo um objeto-chave para entender a vida cotidiana, as crenças e estruturas sociais da cultura Saka.

O processo de preservação dessa peça é tão fascinante quanto o objeto em si. A câmara funerária foi selada após o enterro com camadas de terra e pedra, criando um ambiente que protegeu materiais como couro, madeira ou tecidos contra a deterioração.

O congelamento contínuo do permafrost permitiu que elementos altamente perecíveis chegassem até os dias atuais em estado excepcional. Sem essa preservação natural, a bota teria desaparecido em poucas décadas, como acontece na maioria dos contextos arqueológicos.

A descoberta da bota de couro vermelho não apenas oferece uma visão mais clara sobre as habilidades artesanais da cultura Saka como também destaca a importância do estudo das condições naturais que preservam artefatos históricos.

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