Ciência

Brasil cria centro de pesquisa para produzir insumos farmacêuticos a partir da biodiversidade nacional

03 de Julho de 2026 às 09:03

Brasil criou o Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira (CC-IFABR) em Campinas (SP) para prospectar moléculas nacionais para insumos farmacêuticos. O projeto conta com investimento inicial de R$ 60 milhões do Ministério da Saúde e da Embrapii para quatro anos de operação. As atividades iniciais focam em pesquisas de terapias para câncer e infecções emergentes

Brasil cria centro de pesquisa para produzir insumos farmacêuticos a partir da biodiversidade nacional
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O Brasil instaurou, nesta sexta-feira (3), o Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira (CC-IFABR), com o objetivo de prospectar moléculas em plantas, animais e microrganismos nacionais para a criação de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs). A iniciativa busca reduzir, a longo prazo, a dependência do país em relação a matérias-primas importadas, essenciais para o efeito terapêutico dos medicamentos. Atualmente, a indústria farmacêutica brasileira importa mais de 90% desses insumos, índice que chega a 95% em determinados segmentos, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi).

Sediado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), o centro contará com um investimento inicial de R$ 60 milhões, provenientes do Ministério da Saúde e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). O montante cobre os quatro primeiros anos de operação, focando na implantação da infraestrutura e em pesquisas iniciais.

Durante esse período inaugural, o CC-IFABR não produzirá medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS) nem desenvolverá fármacos completos. As atividades serão concentradas na identificação de moléculas com potencial terapêutico, seu aperfeiçoamento e a realização de estudos pré-clínicos para validação de segurança e eficácia, etapa que antecede os testes em seres humanos.

As frentes iniciais de investigação priorizam terapias para infecções emergentes e tratamentos contra o câncer, especificamente em imunoterapia. Dois projetos já estão em curso: um voltado ao desenvolvimento de uma molécula extraída de planta da Caatinga para estimular o sistema imunológico contra tumores, e outro que utiliza um microrganismo para criar uma molécula destinada ao tratamento da sepse.

Devido à complexidade do processo, que exige testes clínicos, aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a implementação de produção em escala industrial, não há prazos definidos para que esses produtos cheguem ao mercado ou metas quantitativas de redução de importações.

Para mitigar o risco de a pesquisa não avançar para a produção industrial — fenômeno conhecido como "vale da morte" —, o centro utilizará uma *biofoundry*. Essa plataforma automatizada, que integra robótica e inteligência artificial, visa otimizar microrganismos e acelerar a validação de processos em escala piloto, aproximando a ciência das exigências regulatórias e industriais.

A estratégia de propriedade intelectual prevê a transformação de compostos naturais em moléculas patenteáveis, com preferência de licenciamento para empresas brasileiras. O processo seguirá a legislação de repartição de benefícios e acesso ao patrimônio genético, assegurando a participação de pesquisadores e comunidades tradicionais.

O Ministério da Saúde informou que os R$ 60 milhões já estão empenhados via contrato de gestão com a Embrapii. A pasta ressaltou que o centro não visa a substituição imediata de insumos, mas a estruturação de capacidades tecnológicas e geração de conhecimento. O acompanhamento do projeto será feito semestralmente por meio de indicadores técnicos e financeiros, como o número de startups mobilizadas e a captação de recursos externos. Embora haja a expectativa de atrair investimentos da indústria farmacêutica para as etapas seguintes, não existem parceiros ou valores confirmados até o momento.

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