Brasil desenvolve foguete para transportar satélites e reduzir a dependência de empresas estrangeiras
O Brasil desenvolve o Microlançador Brasileiro, foguete de 12 metros para transportar até 30 quilos em órbita baixa. O projeto, financiado com R$ 189 milhões, envolve dez empresas nacionais e prevê o primeiro lançamento a partir de 2027 no Centro de Lançamento de Alcântara

O Brasil desenvolve o Microlançador Brasileiro (MLBR), um foguete de pequeno porte projetado para transportar satélites à órbita terrestre, visando reduzir a dependência de infraestruturas e empresas estrangeiras para missões espaciais. Com cerca de 12 metros de altura, o veículo deve transportar cargas úteis de até 30 quilos em órbita baixa, embora reportagens anteriores tenham mencionado a capacidade de até 40 quilos.
O projeto é financiado com R$ 189 milhões provenientes da Finep e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio da Agência Espacial Brasileira. A construção do primeiro protótipo envolve dez empresas nacionais, com destaque para a Cenic Engenharia, além de parceiras como ETSYS, Concert Space, Delsis, PlasmaHub, Bizu Space, Fibraforte, Almeida’s e Horuseye Tech. Esse grupo, concentrado majoritariamente no Vale do Paraíba, em São Paulo, atua em frentes que abrangem propulsão, aerodinâmica, navegação, controle, estruturas e integração de sistemas.
A iniciativa busca estabelecer um arranjo produtivo nacional capaz de projetar e operar sistemas espaciais complexos. O domínio dessa cadeia é considerado estratégico, pois a dependência de bases externas impõe custos elevados e restrições de agenda. Atualmente, apenas nações como Estados Unidos, Rússia, China e Índia detêm a capacidade completa de lançamento orbital, o que inclui a produção do satélite, o domínio do veículo lançador e a operação de base própria.
A previsão é que o primeiro lançamento ocorra a partir de 2027, após a conclusão de etapas rigorosas de qualificação, que incluem testes de motor, validações estruturais e ensaios de segurança para suportar vibrações e variações térmicas extremas. A operação deverá utilizar o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. A localização da base, a aproximadamente 2°18’ ao sul da Linha do Equador, permite aproveitar a rotação da Terra, o que aumenta a eficiência do lançamento e reduz a necessidade de combustível para órbitas equatoriais.
O MLBR foca no segmento de microlançadores, que atende a uma demanda crescente de universidades, startups e governos por missões mais flexíveis e dedicadas, evitando a espera por vagas em foguetes de grande porte. Esses pequenos satélites possuem aplicações diversas: na agricultura, monitoram a produtividade e o estresse hídrico das lavouras; na área ambiental, rastreiam desmatamentos e queimadas; e no setor de defesa, ampliam a vigilância e a comunicação. Além disso, a tecnologia suporta sistemas de navegação semelhantes ao GPS, previsões meteorológicas e planejamento urbano.
A consolidação do MLBR representaria a conquista do acesso independente ao espaço para o Brasil, transformando o conhecimento técnico e a capacidade industrial em autonomia operacional para missões de observação da Terra, segurança e economia digital.