Ciência

Brasil planeja construir repositório para rejeitos radioativos com investimento de 345 milhões de reais

04 de Maio de 2026 às 09:08

O Brasil iniciará em 2026 a construção do Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental, repositório para rejeitos radioativos de baixa e média atividade. Com investimento de R$ 345 milhões, a obra deve ser concluída em 2030 para armazenar materiais de usinas, hospitais e centros de pesquisa

O Brasil planeja iniciar em 2026 a construção do Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental (Centena), repositório destinado ao armazenamento definitivo de rejeitos radioativos de baixa e média atividade. O projeto, com conclusão prevista para 2030, visa criar uma solução nacional para materiais tratados e acondicionados provenientes de usinas nucleares, hospitais, indústrias, universidades e centros de pesquisa que utilizam radioisótopos.

Com um investimento estimado em R$ 345 milhões — valor que atualiza a previsão anterior de R$ 130 milhões —, a obra será financiada pelo Fundo de Descomissionamento das usinas Angra 1 e Angra 2. O empreendimento ocupará cerca de 40 hectares e utilizará o conceito de múltiplas barreiras para evitar a dispersão de material radioativo. A estrutura contará com áreas de deposição, laboratórios, prédios de apoio operacional e sistemas de monitoramento ambiental e radioproteção.

A operação do Centena terá duração de 60 anos, seguida por um período de vigilância de 300 anos após o encerramento das atividades. O cronograma da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) prevê que a instalação esteja pronta antes de 2031 ou 2032, prazo em que a capacidade dos depósitos atuais da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, deve atingir o limite. No quarto trimestre de 2030, a previsão é que o local receba 26.200 tambores metálicos da Eletronuclear, totalizando 5.240 metros cúbicos de rejeitos.

Atualmente, a CNEN já definiu o local preferencial para a instalação e contratou uma consultoria para analisar o projeto e a documentação técnica. A etapa seguinte consiste na finalização dos estudos de caracterização geofísica para a obtenção dos licenciamentos nuclear e ambiental.

Para mitigar riscos de atrasos que possam impactar a operação de Angra 1 (640 MW) e Angra 2 (1.350 MW), a Eletronuclear analisa alternativas como a reorganização dos depósitos vigentes, que dispensa novo licenciamento ambiental, ou a construção de um novo galpão de armazenamento, medida que exigiria novas licenças.

A implementação do Centena é condição vinculada ao licenciamento ambiental de outros projetos do setor, como o Reator Multipropósito Brasileiro — voltado à pesquisa e produção de radiofármacos, com construção prevista entre 2026 e 2030 — e a usina Angra 3, que terá potência de 1.405 MW e apresentava 66% de progresso físico em maio de 2025.

O repositório atenderá a demanda de diversos setores que utilizam a tecnologia nuclear, desde a geração de energia até aplicações na agricultura, conservação de alimentos e medicina, onde radioisótopos são essenciais para diagnósticos e tratamentos.

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