Brasil verá eclipse parcial da Lua com 93% de obscurecimento em agosto de 2026
Um eclipse parcial da Lua será visível em todo o Brasil entre a noite de 27 e a madrugada de 28 de agosto de 2026, das 22h23 às 4h01. O fenômeno terá 93% de obscurecimento do disco lunar, podendo chegar a 96% no extremo oeste do país
Um eclipse parcial da Lua, com 93% do disco lunar mergulhado na sombra da Terra, será visível em todo o território brasileiro entre a noite de 27 e a madrugada de 28 de agosto de 2026. O fenômeno ocorrerá entre as 22h23 e as 4h01, no horário de Brasília, com a Lua mantendo-se alta no céu, o que facilita a observação em todas as regiões do país.
O evento é classificado como parcial porque a Lua não passará pelo centro da sombra terrestre (umbra), mantendo uma fatia de 7% de sua superfície iluminada com a luz prateada habitual. No entanto, a magnitude do obscurecimento é alta o suficiente para que a parte sombreada adquira a tonalidade avermelhada ou alaranjada, característica visualmente semelhante à de um eclipse total, fenômeno popularmente conhecido como "Lua de Sangue".
Essa coloração ocorre devido à física atmosférica: a atmosfera da Terra funciona como um prisma, refratando e dispersando a luz solar. Enquanto comprimentos de onda curtos, como o azul e o violeta, são espalhados (dispersão de Rayleigh), os tons de vermelho e laranja conseguem atravessar a atmosfera e iluminar a superfície lunar. A intensidade exata dessa cor dependerá da quantidade de aerossóis, vapor d'água, nuvens e poeira vulcânica presentes na estratosfera no momento do evento, impossibilitando previsões precisas com meses de antecedência.
O processo se desenvolverá em fases. Inicialmente, a Lua passará pela fase penumbral, com uma perda sutil de brilho. Em seguida, inicia-se a fase parcial, quando a borda do disco lunar entra na umbra, criando a aparência de uma "mordida" que crescerá progressivamente até atingir o pico de 93% de cobertura. Após esse ápice, a Lua começará a sair da sombra, recuperando gradualmente sua luminosidade total.
A visibilidade será otimizada no extremo oeste do Brasil, como no Acre e no Amazonas ocidental, onde o obscurecimento poderá chegar a 96%. De qualquer modo, o evento de agosto é considerado o mais acessível de 2026 para os brasileiros, superando o eclipse total de março do mesmo ano, que ocorreu com a Lua baixa no horizonte. Diferente de eclipses solares, que exigem proteção ocular e deslocamentos para faixas específicas de totalidade, o eclipse lunar é seguro para a visão e dispensa equipamentos especiais ou viagens.
Para quem deseja registrar o fenômeno, o uso de tripés e modos de longa exposição em celulares ou câmeras com teleobjetivas de ao menos 200 mm é recomendado para capturar o contraste entre a fatia prateada e o disco avermelhado. Binóculos comuns também podem ser utilizados para observar as crateras na borda iluminada.
Este será o último evento lunar de grande impacto para o Brasil por um longo período. Os eclipses previstos para 2027 serão penumbrais e quase imperceptíveis, enquanto os de 2028 terão magnitudes reduzidas, com menos de 33% de obscurecimento. A próxima oportunidade de observar a Lua completamente vermelha em território brasileiro ocorrerá apenas em 26 de junho de 2029.