Cabo de fibra óptica registra desprendimento de 56 mil icebergs por meio de sensores acústicos
Um cabo de fibra óptica de 9,6 quilômetros registrou o desprendimento de 56 mil icebergs por meio da tecnologia de Sensoriamento Acústico Distribuído. O sistema utiliza pulsos de laser para captar vibrações e ondas sonoras, identificando rupturas de gelo em diferentes escalas. Algoritmos automatizados foram aplicados para filtrar ruídos oceânicos e processar os dados coletados
A instalação de um cabo de fibra óptica com 9,6 quilômetros de extensão à frente de uma geleira permitiu o registro inédito de 56 mil icebergs em processo de desprendimento. O monitoramento foi viabilizado pela tecnologia de Sensoriamento Acústico Distribuído (DAS), que converte a estrutura do cabo em uma rede composta por milhares de sensores de alta sensibilidade, capazes de captar vibrações e sinais acústicos do glaciar com precisão superior aos métodos convencionais.
O funcionamento do sistema baseia-se no envio de pulsos de laser pelo cabo, que detectam deformações mínimas provocadas por tremores no gelo e ondas sonoras. Essa configuração atua como uma linha contínua de microfones subaquáticos, possibilitando a localização exata de cada queda de gelo no oceano e a identificação de eventos que passariam despercebidos por sismógrafos distantes ou imagens de satélite.
A tecnologia permitiu distinguir diferentes escalas de ruptura, desde a queda de pequenos fragmentos até o desprendimento de blocos massivos que geram ondas de choque. Esses dados são essenciais para que glaciólogos modelem a perda de massa das geleiras e a consequente elevação do nível do mar, fundamentando a compreensão sobre a dinâmica de derretimento das calotas polares diante das mudanças climáticas globais.
Para processar o volume de informações geradas pela extensão do dispositivo, os pesquisadores utilizaram análise automatizada e algoritmos desenvolvidos para filtrar o ruído oceânico, isolando apenas as assinaturas acústicas do gelo. A infraestrutura mostrou-se resiliente a ambientes extremos, operando sem as interrupções causadas por escuridão polar ou névoa, que costumam limitar as observações visuais.
O sucesso da implementação indica que cabos de fibra óptica já instalados no leito oceânico podem ser adaptados para criar uma rede global de monitoramento de geleiras, evitando a necessidade de novas instalações complexas. O estudo demonstra que o som é um indicador eficaz para analisar processos físicos em áreas de difícil acesso, integrando telecomunicações e geologia para fornecer evidências detalhadas sobre o futuro das regiões polares.