Cachorros de 15.800 anos são ancestrais diretos das raças caninas atuais
Um fóssil de cerca de 15.800 anos atrás encontrado na Turquia revelou que cães foram domesticados há mais tempo do que se pensava, coexistindo com humanos no período Paleolítico. A análise genética e datação por radiocarbono mostraram que esses cães ocupavam um lugar importante nas comunidades de caçadores-coletores. O estudo também encontrou relação entre os restos ósseos dos cães pré-históricos e raças modernas, como o pastor alemão ou o bernês
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F266%2F27f%2Fc16%2F26627fc16301faedf5b55cfa913f92f2.jpg)
Cachorros pré-históricos revelam surpreendente continuidade com raças modernas
Um estudo recente publicado na revista Nature trouxe à luz um achado fascinante sobre a domesticação de cães. Um fóssil encontrado em Pınarbaşı, na atual Turquia, datado de cerca de 15.800 anos atrás, desafia a ideia tradicional de que os primeiros cãos domesticados surgiram apenas há alguns milênios.
A pesquisa combinou técnicas avançadas como análise genética do DNA antigo e datação por radiocarbono para estudar cinco cães paleolíticos encontrados em sítios arqueológicos da Europa, Reino Unido e Turquia. O estudo revela que essas criaturas não apenas coexistiam com os humanos no período Paleolítico, mas também ocupavam um lugar importante nas comunidades de caçadores-coletores.
A análise isotópica dos restos ósseos indicou que esses cães consumiam peixe ao lado de seus donos. O fato é impressionante: os pesquisadores encontraram até filhotes enterrados junto a humanos, sugerindo uma relação estável e profundamente integrada entre as espécies.
A Gruta de Gough's no Reino Unido apresentou outro elemento interessante. Lá, restos humanos mostravam sinais de canibalismo funerário e também os cães receberam tratamento semelhante após a morte. Isso levanta questões sobre o papel que essas criaturas desempenharam nas comunidades pré-históricas.
"Isso sugere que o tipo de personalidade que atribuímos aos cães já estava presente entre os caçadores-coletores há 16.000 anos", explicou Lachie Scarsbrook, um dos autores do estudo. A descoberta reforça a ideia de que a domesticação não apenas transformou os animais, mas também modificou a organização simbólica e cotidiana das sociedades humanas.
Além disso, o estudo revela que esses cãos pré-históricos pertenciam à linhagem euroasiática ocidental, da qual derivam muitas raças modernas. Isso significa que parte da herança genética de cães tão conhecidos como o pastor alemão ou o bernês pode ser rastreada até esses cães do Paleolítico.
O estudo não apenas desafia a ideia tradicional sobre os primeiros cãos domesticados, mas também destaca a surpreendente continuidade entre as criaturas pré-históricas e as raças modernas.