Ciência

Cachorros de 15.800 anos são ancestrais diretos das raças caninas atuais

29 de Março de 2026 às 12:23

Um fóssil de cerca de 15.800 anos atrás encontrado na Turquia revelou que cães foram domesticados há mais tempo do que se pensava, coexistindo com humanos no período Paleolítico. A análise genética e datação por radiocarbono mostraram que esses cães ocupavam um lugar importante nas comunidades de caçadores-coletores. O estudo também encontrou relação entre os restos ósseos dos cães pré-históricos e raças modernas, como o pastor alemão ou o bernês

Cachorros de 15.800 anos são ancestrais diretos das raças caninas atuais
Patronato del Museo de Historia Natural

Cachorros pré-históricos revelam surpreendente continuidade com raças modernas

Um estudo recente publicado na revista Nature trouxe à luz um achado fascinante sobre a domesticação de cães. Um fóssil encontrado em Pınarbaşı, na atual Turquia, datado de cerca de 15.800 anos atrás, desafia a ideia tradicional de que os primeiros cãos domesticados surgiram apenas há alguns milênios.

A pesquisa combinou técnicas avançadas como análise genética do DNA antigo e datação por radiocarbono para estudar cinco cães paleolíticos encontrados em sítios arqueológicos da Europa, Reino Unido e Turquia. O estudo revela que essas criaturas não apenas coexistiam com os humanos no período Paleolítico, mas também ocupavam um lugar importante nas comunidades de caçadores-coletores.

A análise isotópica dos restos ósseos indicou que esses cães consumiam peixe ao lado de seus donos. O fato é impressionante: os pesquisadores encontraram até filhotes enterrados junto a humanos, sugerindo uma relação estável e profundamente integrada entre as espécies.

A Gruta de Gough's no Reino Unido apresentou outro elemento interessante. Lá, restos humanos mostravam sinais de canibalismo funerário e também os cães receberam tratamento semelhante após a morte. Isso levanta questões sobre o papel que essas criaturas desempenharam nas comunidades pré-históricas.

"Isso sugere que o tipo de personalidade que atribuímos aos cães já estava presente entre os caçadores-coletores há 16.000 anos", explicou Lachie Scarsbrook, um dos autores do estudo. A descoberta reforça a ideia de que a domesticação não apenas transformou os animais, mas também modificou a organização simbólica e cotidiana das sociedades humanas.

Além disso, o estudo revela que esses cãos pré-históricos pertenciam à linhagem euroasiática ocidental, da qual derivam muitas raças modernas. Isso significa que parte da herança genética de cães tão conhecidos como o pastor alemão ou o bernês pode ser rastreada até esses cães do Paleolítico.

O estudo não apenas desafia a ideia tradicional sobre os primeiros cãos domesticados, mas também destaca a surpreendente continuidade entre as criaturas pré-históricas e as raças modernas.

Com informações de El Confidencial

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