Ciência

Calor extremo prejudica a capacidade cognitiva e aumenta a agressividade de diversas espécies animais

09 de Junho de 2026 às 06:20

Temperaturas globais extremas causam declínio cognitivo e maior agressividade na fauna, conforme estudo da Universidade da Austrália Ocidental. A exposição ao calor gera inflamação cerebral em roedores e dificulta a resolução de problemas em aves. Projeções indicam aumento de 50% na hostilidade de veados até 2080 e maior incidência de ataques de cães em dias quentes

Calor extremo prejudica a capacidade cognitiva e aumenta a agressividade de diversas espécies animais
AEMET/Magnific

O aumento drástico das temperaturas globais, impulsionado pelas mudanças climáticas, está provocando alterações cognitivas severas na fauna selvagem, comprometendo a capacidade de diversas espécies de realizar tarefas essenciais e elevando a agressividade. Um estudo conduzido pela ecóloga evolutiva Amanda Ridley, da Universidade da Austrália Ocidental, comprova que o desempenho mental dos seres vivos declina quando o calor atinge níveis extremos, prejudicando a tomada de decisões e os processos de aprendizado.

Essas anomalias térmicas manifestam-se por meio de falhas de memória e dificuldades em superar obstáculos simples. Aves expostas a altas temperaturas, por exemplo, demandam oito vezes mais tentativas para resolver problemas básicos de obtenção de alimento. No nível cerebral, experimentos com roedores indicam que a exposição prolongada ao calor causa inflamação no hipocampo. A degradação desse centro regulador da memória pode levar à morte de neurônios, resultando em desorientação e na incapacidade de reconhecer rotas seguras ou elementos do ambiente.

O desequilíbrio ambiental também intensifica comportamentos hostis e disputas territoriais. Observações de veados (*Rupicapra rupicabra*) em regiões montanhosas apontam que a hostilidade entre os indivíduos deve crescer 50% até 2080, impulsionada pela escassez de recursos vegetais. A agressividade se estende a ambientes urbanos e domésticos: um levantamento de 2023 sobre 70 mil ataques de cães em cidades dos Estados Unidos associou dias de calor intenso a um aumento de 10% nas mordidas, reflexo do estresse térmico em humanos e animais. Pesquisas realizadas na China em 2025 confirmaram tendências semelhantes em gatos e serpentes, enquanto peixes reagem com hostilidade ao próprio reflexo em águas aquecidas.

A Espanha apresenta vulnerabilidade particular a esse cenário, especialmente durante o verão. A tendência indica que, se o aquecimento persistir, o país poderá ter regiões inabitáveis em 2050 e se tornar o líder europeu em mortes causadas pelo calor até 2100.

A degradação das funções cognitivas ameaça a sobrevivência de espécies fundamentais para a agricultura e o equilíbrio ecológico. A viabilidade de plantações corre risco caso insetos polinizadores negligenciem rotas de retorno aos ninhos ou confundam as cores das flores. Paralelamente, a redução da vigilância diante de predadores torna as espécies mais vulneráveis a ataques fatais.

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