Ciência

Células solares da LONGi atingem 34,85% de eficiência e superam o limite teórico do silício

12 de Abril de 2026 às 06:15

A empresa LONGi atingiu a marca de 34,85% de eficiência em células solares de silício cristalino e perovskita. O índice, divulgado em 16 de abril de 2025, recebeu a certificação do National Renewable Energy Laboratory (NREL)

A fabricante chinesa LONGi estabeleceu um novo recorde mundial de eficiência para células solares de perovskita e silício cristalino, atingindo 34,85% de conversão energética. O índice, anunciado em 16 de abril de 2025, foi certificado pelo National Renewable Energy Laboratory (NREL), dos Estados Unidos, e supera o limite físico teórico de 33,7% do silício puro, parâmetro conhecido como limite de Shockley-Queisser.

A tecnologia tandem opera por meio do empilhamento de dois materiais que absorvem faixas distintas do espectro luminoso, permitindo que a energia não capturada por um material seja aproveitada pelo outro. Esse sistema eleva o teto teórico de eficiência para 43%, contrastando com os painéis de silício convencionais — amplamente utilizados em telhados brasileiros —, que operam entre 22% e 24%, desperdiçando mais de três quartos da luz solar.

Para alcançar a marca recorde, a LONGi utilizou uma estratégia de passivação de interface em bicamada, combinando moléculas de diiodeto de etilenodiamônio (EDAI) e fluoreto de lítio (LiF). A técnica maximiza o transporte de elétrons e o bloqueio de buracos na junção entre os materiais. A empresa apresenta um histórico de evolução rápida, tendo registrado 33,9% de eficiência em novembro de 2023 e 34,6% em junho de 2024. Outras fabricantes também disputam a liderança, como a JinkoSolar, que atingiu 33,24% em células similares.

Enquanto os recordes avançam em laboratório, a britânica Oxford PV já levou a tecnologia ao mercado. Em setembro de 2024, a companhia realizou a primeira venda de módulos tandem para um projeto de escala industrial nos Estados Unidos. A fabricação ocorre na Alemanha, em uma planta localizada em Brandenburg an der Havel com capacidade de 100 MW. Cada painel é composto por 72 células e entrega até 20% mais energia que os módulos de silício tradicionais.

Em parceria com o instituto alemão Fraunhofer ISE, a Oxford PV desenvolveu um módulo de formato industrial com 25% de eficiência e potência de 421 watts em uma área de 1,68 metro quadrado. Para comparação, painéis de silício com a mesma dimensão entregam entre 340 e 370 watts. Apesar do preço inicial mais elevado, o custo nivelado de eletricidade (LCOE) é menor. A projeção de custo de fabricação para módulos com eficiência entre 25% e 30% situa-se entre US$ 0,29 e US$ 0,42 por watt.

O principal desafio da perovskita reside na sensibilidade ao oxigênio, à umidade e a temperaturas elevadas, fatores que podem degradar o material e reduzir a vida útil dos painéis caso o encapsulamento seja inadequado. Atualmente, o maior tempo de operação reportado publicamente é de aproximadamente 1.000 horas, enquanto as garantias de mercado demandam desempenho por 25 anos. Contudo, a estabilidade tem evoluído, com pesquisas demonstrando que a perovskita fabricada a vácuo retém 80% do desempenho após 1.080 horas a 75°C.

A Oxford PV projeta atingir 26% de eficiência comercial em 2026 e iniciar a produção em massa em escala de gigawatts em 2027. A meta da empresa é garantir módulos com vida útil de 20 anos até 2028, embora os testes de campo continuem em andamento para validar a confiabilidade da tecnologia frente ao silício.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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