Centros de dados de inteligência artificial elevam a temperatura urbana em Phoenix, nos Estados Unidos
Estudo de David Sailor indica que centros de processamento de IA em Phoenix elevam a temperatura local em até 2,2 ºC num raio de 500 metros. A pesquisa revela que o calor residual de uma unidade equivale ao de 40 mil residências

Instalações de processamento de dados voltadas para inteligência artificial (IA) estão gerando poluição térmica em Phoenix, a região metropolitana mais quente dos Estados Unidos. Um estudo liderado por David Sailor identificou que o calor residual expelido por esses centros de dados eleva a temperatura do entorno, transformando a infraestrutura digital em um fator de pressão climática urbana.
A pesquisa utilizou sensores de alta precisão instalados em veículos para monitorar o ar após passar pelos sistemas de refrigeração dos servidores. Os dados revelaram que o ar é liberado no ambiente externo com temperaturas entre 14 e 25 graus Fahrenheit acima da média local. Esse fenômeno não se limita ao terreno da instalação: áreas situadas a favor do vento registraram um aumento médio de 0,9 ºC, com picos de até 2,2 ºC em relação aos pontos de referência. O impacto térmico foi detectado em um raio de aproximadamente 500 metros, o que equivale a cinco quarteirões na configuração urbana de Phoenix.
Para dimensionar a magnitude do problema, o estudo aponta que um único centro de dados pode emitir a mesma quantidade de calor residual que uma pequena cidade com 40 mil residências. Esse aquecimento pode retroalimentar as ilhas de calor urbanas, criando um ciclo onde o ar quente expelido pelas máquinas força moradores e empresas vizinhas a utilizarem mais ar-condicionado, que, por sua vez, libera ainda mais calor para a atmosfera.
Até então, o debate sobre a expansão da IA focava prioritariamente no consumo de água e energia. No entanto, a descoberta do impacto térmico insere a questão no âmbito da saúde pública e do planejamento urbano, especialmente porque a capacidade computacional dos data centers nos Estados Unidos deve dobrar até 2030.
David Sailor defende que essas estruturas sejam tratadas como fontes de calor industrial. Entre as soluções propostas para mitigar o efeito estão a reorientação das saídas de ar, o distanciamento de áreas residenciais vulneráveis e a implementação de zonas verdes e parques para amortecer a temperatura.
Embora o estudo tenha sido realizado em Phoenix, as conclusões servem de alerta para outras regiões que buscam atrair esse setor. Na Espanha, a Comunidade Autônoma de Aragão, especificamente na região metropolitana de Saragoça e nas cidades de Villamayor de Gállego e Villanueva de Gállego, possui projetos planejados por empresas como Amazon e Microsoft. Tais iniciativas, embora tragam investimentos econômicos, trazem agora a necessidade de avaliar o impacto do calor residual antes da construção das unidades.